O Governo Federal anunciou a criação do Estado-Maior Conjunto neste domingo (18), em Manaus, para intensificar o combate aos incêndios no Amazonas. O emprego da Intervenção Federal está descartado, de acordo com os ministros que falaram com a imprensa na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), no Distrito Industrial I, Zona Sul da capital.
A união do Exército, da Marinha e da Aeronáutica foi definida durante uma reunião entre o Governo do Amazonas e os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; José Múcio Monteiro, da Defesa; e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.

A atuação conjunta das Forças Armadas foi classificada pelos ministros como a decisão mais importante da reunião. Por meio dessa implementação, todas as decisões para a atuação serão tomadas no Amazonas, sem a necessidade de aguardar contato com Brasília. A expectativa é de maior eficácia das operações, menor tempo de resposta e maior capacidade de resolução. O Estado-Maior Conjunto vai atuar por tempo indeterminado.
“Vamos diminuir a burocracia, a demora de tomar as providências. A partir de hoje, estamos diuturnamente ao lado de vocês aqui no Amazonas. Há uma absoluta consciência das responsabilidades de todos os ministros e entidades aqui”.José Múcio Monteiro, Ministro da Defesa
De forma geral, são 16 aeronaves disponibilizadas pelo Governo Federal. O número de militares empregados deve variar de acordo com o andamento das operações. No Amazonas, há mais de 27 mil no total das três forças, mas o número preciso de quantos já foram destacados não foi divulgado.

Entre outros apoios, como brigadistas, agentes da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Federal e servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, mais de 600 profissionais foram enviados pelo Governo Federal.
Diante dessas medidas, os ministros descartaram o emprego da Intervenção Federal no Amazonas. O assunto foi bastante ventilado nas redes sociais, especialmente após a cobrança do deputado federal Amom Mandel (Republicanos) ao presidente Lula.
“As respostas que estão sendo dadas hoje são suficientes para fazer frente a isto sem recorrer a esses instrumentos. Temos a mais absoluta convicção de que a presença das Forças Armadas, dentro de suas atribuições constitucionais, será suficiente”, disse Wellington César Lima e Silva.
Manaus e região metropolitana
O foco da mobilização federal é atuar na região metropolitana de Manaus e em alguns municípios do sul amazonense. Essas são as duas áreas que mais concentram queimadas e, consequentemente, interferem na qualidade do ar na capital do Amazonas. Apesar da prioridade, não se descarta o emprego desses recursos em outras regiões amazônicas, como no Pará. O que vai definir o local e o nível de urgência é o trabalho de inteligência das Forças Armadas.

O governador do Amazonas, Roberto Cidade, explicou que segue em contato com prefeitos do interior. Em uma reunião realizada nos últimos dias, foi definido que o apoio federal, por meio de recursos, poderia ser empregado diretamente no plano de combate aos incêndios montado pelas prefeituras. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) já disponibilizou R$ 14 milhões ao Governo do Amazonas para ações relacionadas à situação de emergência.
“Nós definimos que esse apoio, o prefeito que quisesse, poderia pedir que o repasse fosse direto para a prefeitura. Está acontecendo assim e não há problema algum. É hora de deixar questões partidárias e políticas de lado”, afirmou Cidade.

Incêndios criminosos
Os esforços também se debruçam em ampliar as investigações sobre os incêndios florestais. Eles são tratados como ilegais desde setembro, quando o Governo do Estado proibiu o uso do fogo. A Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência foram integradas aos trabalhos já desempenhados pelo Poder Executivo do Amazonas. As investigações incluem perícias em campo e análise de imagens de satélite para auxiliar na identificação de responsáveis e na compreensão das circunstâncias dos focos de incêndio.
“Há pelo menos três inquéritos em andamento, de maneira sigilosa. A motivação, a autoria e a materialidade só podem ser constatadas depois. Ao fim, vamos ter a conclusão”.Wellington César Lima e Silva, Ministro da Justiça













