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Ainda sem um acordo para reestruturar cerca de US$ 11 bilhões, ou R$ 56 bilhões, em dívidas financeiras, a Braskem confirmou, no fim da noite de terça-feira (27), que chegou a um consenso com o grupo de detentores de bônus (“bondholders”) que vem liderando as negociações do lado dos credores para postergar, até amanhã (30), as tratativas em torno das principais condições que vão compor seu plano de recuperação extrajudicial.
Em resposta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia reiterou que, apesar de diversas reuniões sobre o assunto, as partes ainda não alcançaram um acordo quanto aos termos e condições definitivos do plano e que as propostas e parâmetros trocados nas negociações “têm caráter estritamente indicativo e não vinculante, estando sujeitos à validação mútua e ao crivo dos respectivos órgãos de governança”.
O grupo de “bondholders” da companhia também se manifestou nesta semana, pela primeira vez publicamente, sobre as negociações, confirmando a prorrogação do prazo para que se alcance um “acordo de princípios” sobre os termos da reestruturação financeira da Braskem. Fundos globais, como Elliott, Contrarian, AllianceBernstein, Capital Group e PGIM, aparecem entre os credores da companhia brasileira.
Na manifestação, o grupo “Ad Hoc de Credores” reiterou que está comprometido em buscar um acordo consensual e confirma que “segue engajado de forma construtiva” nas tratativas.
O Valor informou no sábado que credores e companhia haviam chegado a um consenso sobre a prorrogação do prazo, diante do avanço nas negociações. Inicialmente, a data limite para que esse acordo fosse alcançado era 9 de outubro. Segundo fontes, as partes avaliam que há margem para definição dos principais termos do plano de RE dentro do novo prazo.
Entre sexta-feira (23) e sábado (24), companhia e credores apresentaram suas propostas, ainda divergindo quanto a determinados valores e prazos, e constam de documento encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo os credores, sua proposta resultaria em desalavancagem imediata de ao menos US$ 3,7 bilhões, com compromisso firme de aporte de capital dos acionistas de US$ 1,85 bilhão e conversão de US$ 1,85 bilhão de dívida em participação acionária. “Isso restabeleceria de imediato o balanço da companhia a um patamar sustentável, com alavancagem líquida no fechamento inferior a 3 vezes o Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) médio do ciclo”.
Há previsão ainda de potencial nova desalavancagem, até junho de 2029, via conversão de mais US$ 500 milhões de dívida em participação acionária, caso a Braskem não consiga manter sua alavancagem abaixo de 4 vezes.
A proposta da companhia, apresentada um dia antes, prevê compromisso firme dos acionistas de aporte de até US$ 1,7 bilhão, em duas parcelas.
“Tanto a proposta do ‘Steering Committee’ (dos credores) quanto a da companhia refletem o entendimento comum de que um aporte substancial de capital por parte dos acionistas da Braskem será um pilar de uma reestruturação consensual”, informaram os credores.
O grupo reiterou a avaliação de que os termos de sua proposta oferecem um “caminho crível e duradouro, que reflete a efetiva divisão de ônus entre as partes interessadas prevista nos parâmetros de negociação acordados no âmbito do plano de RE” e indicam que pretendem dar continuidade às negociações sob esses termos.
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