Dólar atinge R$ 5,22 e alcança maior patamar desde março em dia de instabilidade

Dólar atinge R$ 5,22 e alcança maior patamar desde março em dia de instabilidade

O mercado financeiro brasileiro enfrentou um pregão de forte pressão nesta segunda-feira (28), com o dólar comercial encerrando o dia cotado a R$ 5,226. O valor representa uma alta de 0,83% e marca o maior nível de fechamento da moeda estadunidense desde o dia 30 de março, refletindo um cenário global de aversão ao risco e incertezas geopolíticas.

Pressão externa e fuga de capitais

A valorização da divisa norte-americana foi impulsionada pelo fortalecimento do dólar frente a diversas moedas de países emergentes. O movimento foi agravado pela elevação dos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos, que atingiram 5,2319%, tornando os ativos de renda fixa estadunidenses mais atrativos e estimulando a saída de capital de mercados como o Brasil.

Além da dinâmica dos juros, o clima de cautela foi alimentado por tensões envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã. A instabilidade no cenário internacional, somada às expectativas sobre a política monetária em economias avançadas, criou um ambiente de volatilidade que pesou sobre os ativos de maior risco ao longo de toda a sessão.

Desempenho da bolsa e indicadores econômicos

O Ibovespa acompanhou a tendência de cautela global e recuou 0,26%, fechando aos 182.991,13 pontos. Este foi o quarto pregão consecutivo de queda para o principal índice da bolsa brasileira, embora o acumulado do ano ainda apresente uma valorização de 13,57%. O setor de petróleo, contudo, conseguiu mitigar perdas maiores devido à alta da commodity no mercado internacional.

No âmbito doméstico, o Banco Central divulgou que o Brasil registrou déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes durante o mês de agosto. Paralelamente, o boletim Focus indicou um aumento na projeção da inflação para 2026, que passou de 4,92% para 4,99%, enquanto a disputa eleitoral continua no radar dos investidores, mantendo o clima de incerteza política.

Volatilidade no mercado de petróleo

O preço do petróleo operou sob influência direta dos conflitos e gargalos logísticos no Oriente Médio. O barril do tipo Brent para dezembro encerrou o dia em US$ 97,83, uma alta de 0,40%, enquanto o WTI subiu 0,21%, cotado a US$ 92,60. A volatilidade foi acentuada por notícias divergentes sobre a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz e a retomada do bombeamento de oleodutos na Arábia Saudita.

Embora a oferta tenha dado sinais de recuperação com a reabertura de fluxos estratégicos, a insegurança geopolítica impediu uma queda mais acentuada nos preços. O mercado segue monitorando qualquer desdobramento diplomático que possa alterar o equilíbrio da oferta global de energia nos próximos meses.

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