O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer). Diante deste cenário, um novo exame de sangue capaz de rastrear mais de 50 tipos da doença de forma simultânea chega ao país e pretende auxiliar na prevenção e na mudança futura desse cenário.
Nominado de Galleri, o teste é realizado da mesma forma que a outra maioria dos exames de rotina, mas o que o torna único é a detecção de sinais específicos do câncer antes mesmo do aparecimento dos sintomas.
Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (15), Dr. Edgar Rizzatti, presidente Médico e de Inovação do Grupo Fleury, explica que o teste funciona a partir da característica dos tumores, já que qualquer tipo de câncer libera pequenos fragmentos de DNA na circulação sanguínea.
São esses fragmentos que esse teste vai procurar identificar por meio de um sequenciamento de DNA, seguido de uma avaliação do perfil de metilação, da presença de alguns compostos químicos nesse DNA, o que, por sua vez, vai dar uma indicação de qual o tecido de origem daquele tipo de tumor.
Ao todo, existem mais de 100 tipos de cânceres, mas nem todos possuem exames de rastreamentos, como os de alta letalidade (cânceres de pâncreas, fígado e esôfago).
Apesar de inédito, o teste não substitui os rastreamentos preventivos que já são recomendados e é visto como um exame complementar, que direcionará o paciente aos exames necessários.
“Quando é positivo, não significa um diagnóstico de câncer. É necessário uma investigação subsequente, que é direcionada pelo exame. O diagnóstico definitivo é feito mediante uma biópsia da lesão tumoral suspeita”.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), quando os tumores são detectados de forma inicial, há ainda mais chances de cura.

Quem pode fazer o exame?
A indicação é para pessoas assintomáticas, a partir dos 50 anos, que queiram fazer um exame ampliado de diagnóstico de câncer. Além disso, indivíduos com histórico familiar da doença e pessoas com fatores de risco, também estão contemplados.
O exame não é recomendado para:
- Gestantes;
- Indivíduos com menos de 22 anos de idade;
- Pacientes em tratamento ativo de câncer ou que completaram o tratamento há menos de 3 anos.
Onde ele é oferecido e qual o custo?
O exame é oferecido pelo Grupo Fleury e está presente nos hospitais particulares da companhia, distribuídos em todo o território brasileiro. O primeiro hospital a ofertar o teste foi o Einstein Hospital Israelita, no último dia 6.
O teste não pode ser adquirido pelos convênios, estando disponível apenas para compra particular. O custo pode ultrapassar o valor de R$ 7 mil.

Onde são feitas as análises?
Após a coleta no Brasil, o exame é levado aos Estados Unidos, onde ocorrem as análises e, posteriormente, o laudo emitido é enviado para o território brasileiro.

Chegará ao SUS?
A ampliação do acesso, incluindo a oferta em outros hospitais e no SUS, ainda deve demorar por se tratar de um exame de alta tecnologia e que ainda não foi comprado por outros centros médicos, o que fez ser de alto custo.
Além disso, os pacientes que já foram submetidos ao exame precisam continuar sendo seguidos por mais tempo para que se conheça o real impacto do exame.
“Os indivíduos que participaram desses estudos precisam continuar sendo seguidos por mais tempo para que possamos ter respostas definitivas em relação ao impacto na mortalidade, ao custo e à efetividade, para que, aí sim, decisões a respeito de uma utilização clínica mais ampla e de eventual cobertura possam ser tomadas. Então precisaremos esperar alguns anos para termos essas respostas”, finaliza o Dr. Edgar Rizzatti.














