A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,82% em setembro. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa o patamar mais elevado desde março de 2026, quando o índice atingiu 0,88%. O indicador superou as expectativas do mercado financeiro, que projetava uma variação de 0,60% para o período.
Impacto da energia elétrica no IPCA de setembro
O avanço do custo de vida foi impulsionado principalmente pelo grupo de habitação, que registrou variação de 2,31%. O fator determinante para essa pressão foi o encarecimento da energia elétrica, com alta de 7,98%. Esse movimento ocorreu devido ao fim do Bônus de Itaipu, um desconto que havia reduzido as faturas no mês de agosto. Sem o benefício, a comparação entre os dois meses gerou um impacto direto de 0,32 ponto percentual no índice geral.
Além da energia, o IBGE apontou reajustes contratuais nas tarifas de energia em cidades como Belém, São Luís e Vitória. Apesar da alta, a perspectiva para outubro é de alívio, visto que a bandeira tarifária vigente será a verde, sem cobrança adicional. O economista Roberto Luis Troster, do Centro de Estudos Fipe, classificou o aumento como um efeito pontual de influência limitada para os próximos meses.
Pressão nos transportes e alimentação
O grupo de transportes também contribuiu para a aceleração da inflação, com alta de 0,89%. O setor foi pressionado pelo aumento de 9,66% nas passagens aéreas e pela elevação nos preços dos combustíveis, que subiram 1,41% no período. A gasolina, o etanol e o óleo diesel registraram variações positivas, encarecendo a logística e o deslocamento das famílias.
Após três meses de deflação, o setor de alimentação e bebidas voltou a subir, com destaque para a alimentação no domicílio, que registrou alta de 0,96%. O analista do IBGE, Fernando Gonçalves, atribuiu a elevação a fatores climáticos, como o excesso de chuvas e temperaturas baixas, que prejudicaram a oferta de produtos como tomate, batata-inglesa e cebola. Esses itens registraram altas expressivas, enquanto produtos como frango e frutas apresentaram recuos nos preços.
Meta de inflação e cenário acumulado
Com o resultado de setembro, o IPCA acumula alta de 4,58% em um período de 12 meses. O índice ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual, totalizando um limite superior de 4,5%. Esta é a segunda vez no ano que o acumulado supera esse teto, sendo a anterior registrada em junho.
O monitoramento de preços realizado pelo IBGE revelou que 55% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram aumento em setembro. O grupo de serviços subiu 0,61%, enquanto os preços monitorados avançaram 1,59%. Para o fechamento de 2026, o boletim Focus, do Banco Central, sinaliza uma projeção de inflação em 5,01%, indicando um cenário de cautela para os próximos meses.













