A Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, um prazo adicional de 90 dias para prosseguir com o inquérito que apura o financiamento do longa-metragem Dark Horse. A obra cinematográfica, concebida como uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, está no centro de apurações envolvendo repasses financeiros realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O pedido foi formalizado pelo delegado Anderson Rodrigo Andrade de Lima, responsável pela condução do caso. Segundo o investigador, a extensão temporal é imprescindível para que a corporação conclua laudos periciais de natureza contábil e acompanhe os trâmites de cooperação jurídica internacional iniciados com as autoridades dos Estados Unidos.
Cooperação com autoridades dos Estados Unidos e análises periciais
A solicitação de assistência externa visa rastrear registros bancários e movimentações ligadas a entidades no exterior que teriam servido como destino para os recursos. Entre os alvos das diligências está o fundo de investimentos Havengate Development, estrutura sediada em território norte-americano que teria sido utilizada para captar os valores destinados à produção.
Paralelamente aos pedidos internacionais, os agentes da corporação concentram esforços na checagem de elementos documentais fornecidos por Antônio Carlos Freixo Júnior. O empresário, que atua como delator nas investigações do caso Master, entregou dados que indicariam transferências diretas para o fundo constituído fora do país.
Origem das apurações do inquérito e inclusão de parlamentar
O processo sob análise na Suprema Corte teve início a partir de uma representação apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias. O parlamentar acionou a Justiça após a revelação de diálogos em que o senador Flávio Bolsonaro solicitava aportes a Vorcaro com a finalidade de viabilizar as filmagens.
A existência do projeto e das tratativas financeiras veio a público por meio de reportagem veiculada pelo portal The Intercept. As apurações apontam que os contatos entre o parlamentar e o empresário ocorreram em novembro do ano passado, desencadeando a abertura do procedimento formal de investigação.
Com o avanço das apurações técnicas e documentais conduzidas pela corporação, conforme registrado pela Agência Brasil, o senador acabou formalmente incluído no rol de investigados pelo relator do caso no mês de julho deste ano.
Posicionamento da defesa sobre as transferências
Diante da repercussão dos diálogos interceptados, o senador Flávio Bolsonaro declarou publicamente que não houve qualquer negociação envolvendo contrapartidas ou vantagens indevidas junto ao banqueiro. Em suas manifestações sobre o episódio, o congressista sustentou que a totalidade dos valores discutidos envolvia exclusivamente recursos de origem privada voltados ao setor cultural.
Com o pedido de prorrogação sob a mesa do ministro André Mendonça, a expectativa recai sobre a decisão que autorizará a continuidade dos trabalhos periciais e a conclusão das respostas diplomáticas e financeiras demandadas às autoridades estrangeiras.













