A cultura e a história visual do país perdem uma de suas grandes referências com o falecimento da fotógrafa, pesquisadora e historiadora Irene de Figueiredo Santos. Conhecida por unir a precisão da lente ao rigor da investigação acadêmica, ela construiu uma carreira sólida voltada para a preservação e valorização da memória afro-brasileira, deixando uma marca profunda na identidade cultural da capital gaúcha e de todo o estado.
Autodidata convicta, a trajetória da artista foi marcada pela constante busca por visibilidade e justiça histórica para grupos frequentemente marginalizados pelas narrativas oficiais. Seu acervo e suas pesquisas transitaram por múltiplos suportes artísticos, dialogando intensamente com as artes cênicas, a música e as artes visuais ao longo de décadas dedicadas à produção cultural.
Resgate histórico através da fotografia
O reconhecimento público consolidou-se de maneira definitiva com publicações que transformaram a forma como a sociedade enxerga o passado local. Entre suas obras mais importantes destaca-se o livro Negro em Preto e Branco – História Fotográfica da População Negra de Porto Alegre, lançado no ano de 2005 e premiado posteriormente.
A obra reuniu registros raros e histórias de famílias que ajudaram a estruturar a sociedade regional, mas que acabaram relegadas ao esquecimento nos compêndios tradicionais. Para a autora, a captura das imagens funcionava como um instrumento de resistência política e cultural, combatendo o racismo estrutural e provando a relevância do povo negro na construção urbana e social.
Obras e exposições marcantes
Além do pioneirismo no registro fotográfico urbano, a pesquisadora expandiu sua atuação para outras frentes documentais fundamentais. Ela assinou a autoria de publicações como Colonos e Quilombolas – Memórias das Colônias Africanas de Porto Alegre e produziu o webdocumentário voltado ao resgate histórico das festividades populares na Agência Brasil.
A relevância de sua produção seguiu atual e vibrante, ganhando novas gerações de admiradores por meio de mostras recentes. Exposições dedicadas ao seu acervo continuaram a circular por espaços acadêmicos e culturais, reafirmando a força de um trabalho que evitou o apagamento de coletividades inteiras.

















