A cidade de Manaus retomou, nesta sexta-feira (16), a posição de capital com a pior qualidade do ar em todo o território brasileiro. O agravamento da poluição atmosférica é causado pela densa fumaça proveniente de queimadas registradas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso.
Dados da plataforma internacional IQAir indicaram um índice de qualidade do ar de 167, patamar classificado como insalubre, logo nas primeiras horas da manhã. O sistema de vigilância ambiental da Universidade do Estado do Amazonas corroborou o cenário crítico, apontando que a maior parte da capital amazonense oscila entre as categorias muito ruim e péssima.
Impactos imediatos na rotina e educação
Diante do cenário adverso, as autoridades locais adotaram medidas emergenciais para proteger a integridade física da população. As aulas presenciais na rede municipal de ensino foram suspensas nesta sexta-feira, visando reduzir a exposição de alunos e profissionais da educação aos poluentes suspensos no ar.
A Universidade do Estado do Amazonas também interrompeu suas atividades acadêmicas presenciais em todas as unidades, tanto na capital quanto no interior, abrangendo os três turnos de funcionamento. Parte das operações administrativas da instituição foi migrada para o formato remoto como estratégia de contingência.
Monitoramento da saúde e assistência federal
A exposição prolongada à fumaça representa riscos significativos, especialmente para grupos vulneráveis como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias pré-existentes. O governo federal intensificou o monitoramento dos impactos sanitários na região.
O Ministério da Saúde identificou 12 municípios que demandam suporte direto nos serviços de saúde. Equipes da Força Nacional do SUS atuam em conjunto com autoridades locais para diagnosticar a rede de atendimento e garantir o fornecimento de insumos essenciais, como oxigênio, inclusive para distritos sanitários especiais indígenas.
Combate aos focos de incêndio e situação de emergência
A persistência da fumaça é agravada pela escassez de chuvas, que impede a dispersão dos poluentes. O combate aos incêndios conta com uma operação estruturada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que já extinguiu 303 focos de incêndio no estado.
A logística de combate envolve 11 aeronaves, incluindo seis aviões Air Tractor e um KC-390, mobilizado pelo Ministério da Defesa para o lançamento de grandes volumes de água. Desde o dia 10 de outubro, o governo estadual mantém um decreto de situação de emergência que abrange 36 municípios afetados pela crise ambiental.













