A pecuária brasileira alcançou um marco expressivo em 2025, registrando uma produção de 36,7 bilhões de litros de leite. O volume representa uma alta de 2,7% em relação ao ano anterior, consolidando o terceiro ano consecutivo de expansão no setor. O resultado é ainda mais notável por ter sido obtido mesmo diante de uma redução de 2,7% no número de vacas ordenhadas, que totalizou 14,7 milhões de animais no período.
Aumento de produtividade e eficiência no campo
O salto na produção nacional reflete um ganho de eficiência operacional nas fazendas. A produtividade por animal cresceu 5,6% entre 2024 e 2025, atingindo a marca recorde de 2.498,7 litros por vaca. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse desempenho é impulsionado por condições climáticas favoráveis, investimentos constantes em melhoramento genético e uma reorganização estrutural da base produtiva.
O processo de otimização tem levado à saída de produtores menos especializados, concentrando a atividade em propriedades com maior capacidade de investimento em tecnologia e mão de obra qualificada. O valor total da produção leiteira no Brasil alcançou R$ 89,5 bilhões, com o preço médio do litro mantendo-se estável em R$ 2,44.
Geografia da produção e liderança do Sul
A região Sul do país destaca-se como o principal polo de eficiência, liderando o ranking nacional com uma média de 4,3 mil litros por vaca. Em termos de volume total, a região responde por 34% da produção brasileira, seguida de perto pelo Sudeste, com 33,5%. Minas Gerais mantém sua hegemonia como o maior estado produtor, entregando 10,1 bilhões de litros no último ano.
No cenário municipal, a cidade de Castro, no Paraná, permanece como a maior produtora do país, com 532,8 milhões de litros. O ranking dos maiores produtores inclui ainda municípios de Minas Gerais, Goiás, Pernambuco e Sergipe, evidenciando a capilaridade da atividade leiteira em diferentes biomas e realidades econômicas.
Ciclo da pecuária e desempenho de outros setores
Enquanto a produção de leite avança, o rebanho bovino total apresentou queda pelo segundo ano consecutivo, somando 234,3 milhões de cabeças. Especialistas apontam que a redução é reflexo do ciclo da pecuária, influenciado pelo abate de fêmeas em anos anteriores e pela dinâmica de preços para a reposição de bezerros. Apesar disso, o setor de carne bovina in natura atingiu recordes de exportação, com a China consolidada como o principal mercado comprador.
O setor pecuário como um todo teve um desempenho positivo, atingindo um valor de produção recorde de R$ 141,2 bilhões. Além do leite, houve crescimento expressivo na produção de ovos, que alcançou 5,7 bilhões de dúzias, impulsionado pela demanda por proteínas mais acessíveis. Outros segmentos, como a produção de mel, camarão e tilápia, também registraram patamares históricos, reforçando a força do agronegócio nacional.













