Cinco regiões de recifes de corais no Brasil entram em alerta vermelho

Cinco regiões de recifes de corais no Brasil entram em alerta vermelho

Cinco ecorregiões de recifes de corais brasileiras foram classificadas como criticamente em perigo pela Lista Vermelha de Ecossistemas, lançada na 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas (Agência Brasil) da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Yerevan, na Armênia. O Brasil teve oito ecorregiões de recifes de corais analisadas, mas três não contavam com dados suficientes para receber uma classificação geral de risco.

As cinco áreas sob alerta são Parrachos, Atol das Rocas e Fernando de Noronha, Costa dos Corais, Baía de Todos os Santos e Baixo Sul, além de Abrolhos. A classificação de criticamente em perigo significa que, apesar de abrigarem corais vivos e funcionarem como ecossistemas recifais, é necessário agir com urgência para protegê-las. Essa foi a primeira avaliação global para esses ecossistemas promovida pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

Ecossistemas sob risco e lacunas de dados

O documento lista as ecorregiões conforme o risco de colapso, considerando a distribuição dos corais, as restrições geográficas, a degradação e outros critérios ambientais. Houve dados insuficientes para Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande. Para a analista de Conservação do WWF-Brasil, Ana Lídia Gaspar, a falta de informação não pode ser lida como ausência de risco.

A avaliação aponta a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas áreas para compreender melhor sua situação e orientar medidas de conservação. As cinco regiões criticamente em perigo foram avaliadas sobre as mudanças ocorridas nos últimos 50 anos e as projeções de estresse térmico provocado pelo aquecimento dos oceanos nas próximas cinco décadas.

Impacto térmico e projeções climáticas

O nível de perigo crítico foi alcançado pelas cinco ecorregiões devido às projeções para os próximos 50 anos de estresse térmico, com base em um cenário intermediário apontado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. As ondas marinhas de calor são apontadas como principais ameaças aos recifes brasileiros, tendo como referência importantes eventos de estresse térmico que resultaram em branqueamento severo e mortalidade de espécies-chave.

Eventos de mortalidade severa ocorreram em 2019/2020 e 2024. A análise destaca que medidas locais não são capazes de impedir as ondas de calor marinhas, portanto, cortes rápidos nas emissões continuam sendo essenciais para a sobrevivência dos ecossistemas marinhos costeiros.

Pressões humanas e ameaças múltiplas

Pressões humanas locais, como a sobrepesca, o desenvolvimento costeiro, o turismo e o aporte de sedimentos e nutrientes provenientes do continente, contribuem para a degradação da qualidade da água. Esses fatores reduzem a resiliência e a capacidade de recuperação dos recifes, expondo os ambientes costeiros a pressões cumulativas maiores do que os locais situados mais longe da costa.

O estudo destaca também pressões adicionais, como a exploração de petróleo e gás, mineração e navegação, além da invasão de espécies exóticas como os corais-sol e o peixe-leão. De modo geral, o cenário exige uma força-tarefa coordenada entre governos, pesquisadores e a sociedade civil para mitigar os impactos locais e globais.

Ferramentas globais de conservação

A Lista Vermelha de Ecossistemas é uma das ferramentas para a revisão do tratado internacional da biodiversidade de Kunming-Montreal, estabelecido em dezembro de 2022, do qual o Brasil é signatário. A avaliação serve como referência para relatórios e adoção de políticas nacionais capazes de proteger os recifes, recuperar as populações de espécies marinhas e reduzir as pressões locais.

Em todo o mundo, foram analisadas 127 ecorregiões em mais de 80 países e territórios, agrupados em dez macrorregiões. Desse total, 122 ecorregiões foram classificadas como criticamente em perigo, o equivalente a 96% dos locais avaliados pela iniciativa internacional.

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