Sociedade civil contesta Anatel sobre gratuidade de internet nas eleições

Sociedade civil contesta Anatel sobre gratuidade de internet nas eleições

Um grupo composto por 12 entidades da sociedade civil solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o ingresso como amici curiae em um processo que busca garantir o acesso gratuito à internet móvel para todos os brasileiros. A medida visa assegurar a conectividade, independentemente do limite da franquia de dados, durante o período crítico das 72 horas que antecedem as eleições.

Questionamento técnico sobre a infraestrutura de rede

As organizações contestam diretamente o posicionamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O órgão regulador argumentou perante o STF que a liberação irrestrita do tráfego de dados poderia sobrecarregar a rede móvel, gerando picos de demanda capazes de causar interrupções no serviço, especialmente em áreas próximas aos locais de votação.

Em resposta, as entidades afirmam que a agência não apresentou dados concretos ou estudos de impacto que justifiquem o risco de colapso. Segundo o grupo, a manifestação da Anatel carece de estimativas individualizadas sobre quantos usuários estariam com a franquia esgotada, qual seria o volume real de tráfego adicional e quais medidas operacionais poderiam ser adotadas para mitigar eventuais falhas técnicas.

Democratização do acesso e combate à desinformação

A ação judicial, movida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pelo Partido Verde (PV), busca combater a desigualdade digital. O objetivo central é assegurar que o cidadão tenha acesso à imprensa profissional e a mecanismos de busca, evitando que o consumo de informações políticas fique restrito a redes sociais que oferecem navegação patrocinada, como WhatsApp e Instagram, frequentemente associadas à disseminação de desinformação.

O movimento, integrado à iniciativa Democracia Sem Franquia, sustenta que a limitação de dados atinge desproporcionalmente a população de baixa renda. Dados apontam que 64,1 milhões de brasileiros adultos conectados enfrentam restrições de franquia mensalmente, sendo que 29,5 milhões permanecem sem acesso por oito dias ou mais, o que compromete o exercício pleno da cidadania digital.

Decisão parcial do Supremo Tribunal Federal

O relator da ação, ministro Cristiano Zanin, autorizou recentemente que usuários com a franquia de dados esgotada tenham acesso gratuito aos sites da Justiça Eleitoral. A medida abrange o período de 72 horas antes de cada turno e estende-se por 24 horas após o encerramento da votação. O mérito da universalização do acesso, contudo, permanece pendente de apreciação pelo plenário da Corte.

Entre as entidades que buscam participar do processo estão a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Sleeping Giants Brasil, o Intervozes e o Instituto Nupef. O grupo busca trazer ao debate exemplos internacionais, como as investigações da Comissão Europeia sobre riscos digitais em processos eleitorais, para fundamentar a necessidade de uma infraestrutura de comunicação mais aberta e equitativa.

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