O Brasil registrou no ano de 2025 um total de 1,41 bilhão de toneladas líquidas de CO2 equivalente em gases do efeito estufa. O resultado representa uma retração de 9% na comparação com o patamar verificado no período anterior, quando o volume alcançou 1,489 bilhão de toneladas líquidas, posicionando o índice no menor patamar contabilizado desde o ano de 2012.
A apuração detalhada foi divulgada por meio da 14ª edição do levantamento elaborado pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa, lançado em uma quarta-feira pelo Observatório do Clima. Os números refletem tanto o impacto das políticas ambientais quanto o comportamento dos diversos setores econômicos do território nacional frente aos compromissos firmados.
Retração expressiva influenciada pela mudança no uso da terra
O principal fator de influência para a queda nos índices gerais foi a desaceleração do desmatamento, categoria classificada no levantamento como mudança de uso da terra. Esse segmento específico registrou um volume de 814 milhões de toneladas brutas, configurando um recuo de 15% em relação ao montante contabilizado anteriormente.
Quando a análise considera os valores líquidos associados a essa mesma categoria, a diminuição chega a 48%. O indicador passou de 311 milhões para 162 milhões de toneladas, estabelecendo a menor marca histórica já catalogada pelo sistema de monitoramento para o setor em todo o período analisado.
Comportamento estável nos demais setores produtivos
Enquanto o uso da terra apresentou reduções expressivas, as emissões brutas originadas nas demais atividades econômicas mantiveram patamares estáveis. A agropecuária apresentou variação negativa de 0,1%, totalizando 626 milhões de toneladas de dióxido de carbono, enquanto o setor energético teve alta de 1,2%, alcançando 427 milhões de toneladas.
Os processos industriais mantiveram a estabilidade com 94 milhões de toneladas, enquanto a gestão de resíduos apresentou a maior variação positiva do levantamento, com acréscimo de 3,6%. No panorama geral, a agropecuária e as atividades energéticas continuam liderando o volume de emissões diretas e indiretas no país.
Projeções e proximidade com as metas climáticas estabelecidas
Com os resultados obtidos, o país ficou a uma margem de 85 milhões de toneladas de atingir integralmente a meta climática projetada para o período, conforme os parâmetros definidos na primeira Contribuição Nacionalmente Determinada apresentada em 2015. Especialistas apontam que a tendência de queda contínua aproxima o território nacional dos objetivos futuros.
Para o horizonte de 2030, a segunda NDC estabelece a necessidade de comprimir o volume total de emissões para uma faixa situada entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas. Analistas reforçam que, embora a queda no desmatamento seja expressiva, o engajamento dos demais setores econômicos será determinante para o cumprimento das próximas etapas.













