Fundo Brasil amplia apoio a povos tradicionais e reforça defesa de direitos humanos

Fundo Brasil amplia apoio a povos tradicionais e reforça defesa de direitos humanos

À frente da diretoria executiva do Fundo Brasil desde maio de 2026, Allyne Andrade lidera uma nova fase da fundação filantrópica focada em enfrentar as crescentes desigualdades sociais no país. Com uma trajetória marcada pelo ativismo antirracista e pela formação acadêmica em Teoria Crítica, a gestora busca conectar o trabalho de base com estratégias de financiamento que alcancem as populações historicamente marginalizadas.

O Fundo Brasil, fundado por figuras como Abdias do Nascimento e Dom Pedro Casaldáliga, atua como um pilar de suporte para organizações da sociedade civil. O objetivo central é garantir que recursos cheguem diretamente a comunidades afetadas por violações de direitos, preenchendo lacunas onde o apoio tradicional muitas vezes falha em penetrar.

Justiça climática e o programa Raízes

Diante do cenário de mudanças climáticas, a instituição intensificou sua atuação para proteger territórios preservados. A diretora aponta que, embora o debate global sobre o clima seja intenso, os recursos financeiros raramente chegam aos povos indígenas e quilombolas, que são os principais guardiões da biodiversidade brasileira.

Para mitigar essa falha, o Fundo Brasil lançou em 2023 o programa Raízes. A iniciativa direciona doações estruturantes e aportes emergenciais para comunidades que enfrentam conflitos territoriais, grilagem e desmatamento. O modelo de seleção prioriza processos participativos, garantindo que especialistas e lideranças locais decidam as prioridades de investimento.

Impacto financeiro e expansão da filantropia

Ao completar duas décadas de existência em 2026, a fundação consolidou um histórico de impacto expressivo. Ao longo de sua trajetória, a entidade destinou R$ 141 milhões para 2,5 mil iniciativas. Em 2025, o volume de doações alcançou R$ 32 milhões, representando um crescimento de quase 20% em comparação ao ano anterior.

Além da justiça climática, a instituição mantém frentes de atuação em áreas críticas como o combate ao trabalho análogo à escravidão, direitos digitais e justiça criminal. O projeto Labora, por exemplo, foca no apoio a trabalhadores de aplicativos e do cuidado, buscando fortalecer a organização coletiva em novas fronteiras laborais.

Democracia e o futuro dos direitos humanos

A gestão de Allyne Andrade projeta um futuro onde os direitos humanos sejam compreendidos sob uma ótica decolonial e antirracista. A expectativa é que a conferência de 20 anos da fundação sirva como um ponto de convergência para ativistas, pesquisadores e o setor privado, desenhando os próximos passos da filantropia no Brasil.

A estratégia para os próximos anos envolve uma comunicação mais próxima com os movimentos sociais, visando a reconquista da democracia. A instituição reforça a necessidade de respeitar as cosmovisões dos povos tradicionais, integrando essas perspectivas na formulação de políticas públicas e na defesa de um sistema prisional mais humanizado, conforme detalhado pela Agência Brasil.

Compartilhe nas Redes

últimas noticias