O Rock in Rio e a organização Ação da Cidadania anunciaram uma nova fase de sua histórica colaboração, focada no enfrentamento da insegurança alimentar no Brasil. Durante o anúncio realizado nesta quinta-feira (13), os presidentes das duas instituições detalharam as estratégias para a edição de 2026 do festival, reforçando o papel da cultura como motor de transformação social.
A iniciativa busca unir a magnitude do maior evento de música e entretenimento do mundo com a expertise de uma das mais respeitadas ONGs do país. O objetivo é mobilizar o público e o setor privado para mitigar os impactos da fome, que ainda atinge milhões de brasileiros em diversas regiões.
Rock in Rio e a meta de 2 milhões de refeições
A campanha, batizada com o tema “Um mundo melhor é um mundo sem fome”, estabeleceu o objetivo ambicioso de arrecadar recursos para o fornecimento de 2 milhões de pratos de comida. O público poderá contribuir diretamente através de um QR code que direciona os valores para a conta da Ação da Cidadania. Segundo a organização, qualquer quantia pode ser enviada para ajudar a bater a meta.
Roberto Medina, presidente da Rock World, expressou otimismo em superar essa marca durante o lançamento. Ele destacou que o festival possui um histórico sólido de engajamento e que a visibilidade do evento é uma ferramenta poderosa para atrair doações. A expectativa é que o engajamento supere todas as metas sociais estabelecidas em edições anteriores do festival.
Incentivos e sorteio de ingressos para doadores
Para estimular a participação popular, a organização criou um sistema de recompensas para quem realizar doações financeiras. A cada R$ 25 doados, o participante recebe dois cupons para concorrer a um total de mil ingressos para o festival. Essa estratégia visa transformar o desejo de comparecer ao evento em uma ação concreta de solidariedade.
As doações são processadas de forma transparente, com o valor indo diretamente para os projetos de segurança alimentar da Ação da Cidadania. A iniciativa busca democratizar a participação, permitindo que pequenas contribuições individuais somem um montante significativo para a compra de alimentos e manutenção de cozinhas comunitárias.
Pratômetro e visibilidade na Cidade do Rock
Uma das inovações visuais desta edição será a instalação do pratômetro na entrada da Cidade do Rock. O dispositivo exibirá em tempo real o volume de doações acumuladas, servindo como um lembrete constante da causa para os milhares de visitantes que passarão pelos portões. A estrutura será um ponto focal de conscientização durante os dias de shows.
Daniel Souza, presidente do conselho da Ação da Cidadania, ressaltou que, embora o Brasil tenha saído formalmente do Mapa da Fome, cerca de 6,5 milhões de pessoas ainda vivem em situação de insegurança alimentar severa. Para ele, o festival funciona como um grande tambor que ecoa essa necessidade para o mundo, utilizando a cultura para preencher lacunas sociais urgentes.
Histórico de mobilização e impacto econômico no Rio
A parceria entre o festival e a ONG remete aos tempos de Herbert de Souza, o Betinho, que inspirou Medina a utilizar a força do evento para causas humanitárias. O empresário relembrou que a primeira grande mobilização conjunta ocorreu após um artigo de jornal que convocou a sociedade para as ruas, resultando em um movimento que reuniu 400 mil pessoas contra a violência e a fome.
Além do aspecto social, o festival gera benefícios econômicos diretos para o estado do Rio de Janeiro. De acordo com dados da Agência Brasil, o impacto financeiro na cidade supera R$ 3 bilhões, com a criação de aproximadamente 30 mil empregos diretos. O projeto global do festival soma investimentos que ultrapassam a marca de R$ 1 bilhão.
As formas de arrecadação incluem ainda:
- Venda de camisetas exclusivas nas lojas oficiais do festival.
- Leilão de instrumentos musicais autografados por artistas internacionais.
- Doações diretas via plataforma digital e QR codes espalhados pelo recinto.












