Operação policial contra o Comando Vermelho termina com treze presos e quatro mortos no Rio

Operação policial contra o Comando Vermelho termina com treze presos e quatro mortos no Rio

A Polícia Militar do Rio de Janeiro realizou uma megaoperação nesta quinta-feira (13) visando desarticular atividades da facção criminosa Comando Vermelho em 27 comunidades. A ação resultou na prisão de 13 suspeitos e na morte de quatro pessoas durante confrontos armados em diferentes pontos da Região Metropolitana. O balanço parcial indica uma forte ofensiva contra a estrutura logística do tráfico de drogas e roubo de cargas.

Além das prisões, as equipes apreenderam um arsenal composto por fuzis, pistolas e granadas. O foco da intervenção foi combater crimes violentos e conter a expansão territorial da organização criminosa em municípios como São Gonçalo, Niterói e diversas cidades da Baixada Fluminense. A mobilização envolveu múltiplos batalhões para garantir a segurança em áreas historicamente conflagradas.

Prisão de suspeito de matar policial e apreensão de armamento pesado

Entre os detidos durante a operação está André Silveira das Dores, conhecido pelo apelido de Coquinho. Ele foi capturado portando um fuzil automático AR-10. Segundo as autoridades, o preso é suspeito de envolvimento direto no assassinato do policial militar Marco Antônio Matheus Maia, crime ocorrido em dezembro de 2024 na comunidade do Quitungo.

Ao todo, os agentes retiraram de circulação o seguinte material bélico:

  • Dois fuzis de alto poder de destruição;
  • Duas pistolas semiautomáticas;
  • Seis granadas de fabricação artesanal e industrial.

A apreensão desse tipo de armamento é considerada estratégica pela inteligência da PM, uma vez que reduz o poder de fogo dos grupos criminosos em confrontos diretos e em ações de intimidação contra a população civil e agentes do Estado.

Remoção de barricadas e abrangência territorial da intervenção

As equipes de engenharia da Polícia Militar removeram cerca de 10 toneladas de concreto utilizadas como barricadas nas comunidades do Quitungo e Guaporé, localizadas na Zona Norte da capital. Essa tática é frequentemente empregada por criminosos para dificultar o patrulhamento e impedir a entrada de veículos blindados em vias estreitas.

A ofensiva se estendeu por diversas cidades além da capital fluminense. Foram realizadas diligências em São Gonçalo, Niterói, Magé, Itaboraí, Duque de Caxias, São João de Meriti e Queimados. O objetivo central foi o cumprimento de mandados de prisão em aberto e a recuperação de veículos roubados que seriam utilizados em novos crimes.

Violência armada atinge marca histórica na Região Metropolitana

A operação ocorreu em um momento de extrema sensibilidade na segurança pública, apenas um dia após a fonoaudióloga Aline de Siqueira Affonso, de 53 anos, ser baleada dentro de um ônibus em Vicente de Carvalho. De acordo com dados do Instituto Fogo Cruzado, ela foi a milésima vítima de disparos de arma de fogo no Grande Rio em 2026.

O levantamento estatístico revela um cenário crítico para os moradores do estado. Até o dia 12 de agosto, a região metropolitana contabilizou 537 mortos e 463 feridos por tiros. Esses números reforçam a complexidade do desafio enfrentado pelas forças de segurança para reduzir a letalidade violenta e garantir o direito de ir e vir dos cidadãos.

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