A celebração do dia de São Cosme e São Damião, realizada anualmente em 27 de setembro, reafirma-se como um dos pilares da cultura popular carioca. Neste domingo (27), fiéis de diversas denominações religiosas reuniram-se em igrejas e terreiros do Rio de Janeiro para homenagear os santos irmãos, em um movimento que mescla devoção, memória ancestral e a tradicional distribuição de doces para a comunidade.
A data, que possui profundo significado tanto para o catolicismo quanto para as religiões de matriz africana, mobilizou devotos em diferentes pontos da cidade, como o bairro do Andaraí e Vila Isabel. Para muitos, o ato de distribuir guloseimas e promover festividades é uma forma de gratidão por graças alcançadas e um exercício prático de combate à intolerância religiosa através do afeto.
Fé e devoção na Paróquia de São Cosme e São Damião
Na Zona Norte do Rio, a Paróquia de São Cosme e São Damião, localizada no Andaraí, foi palco de missas que atraíram centenas de fiéis. Para a professora Caroline Pinho de Araújo, de 40 anos, a participação na celebração é uma herança de vida que atravessa gerações. A devota destaca que a data é um momento de agradecer por conquistas pessoais, como emprego e saúde, enquanto promove a alegria entre crianças e adultos.
O vigário da paróquia, padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento, ressaltou a importância histórica dos santos, que foram martirizados durante o império de Diocleciano. Segundo o religioso, a celebração vai além da distribuição de doces, sendo um reconhecimento do testemunho de fé desses homens que, há mais de 1,7 mil anos, marcaram a história do cristianismo. O padre enfatiza que o acolhimento de peregrinos de diversas origens é um dos pontos altos da festividade.
Sincretismo religioso e a força dos erês
O sincretismo religioso desempenha um papel fundamental na preservação desta tradição no Brasil. Em terreiros de umbanda, como o situado em Vila Isabel, a celebração é marcada pela conexão com os erês, entidades espirituais infantis que representam a pureza e a alegria. A mãe de santo Ana Carolina Oliveira explica que a prática, mantida por sua família há mais de 60 anos, é uma forma de resistência cultural que remonta ao período da escravidão.
Durante o evento, foram distribuídos não apenas doces e bolos, mas também itens de primeira necessidade, como kits de higiene pessoal e brinquedos. A massoterapeuta Vania Victorio Gonçalves da Silva, que compareceu à celebração acompanhada de familiares, reforçou que a manutenção do costume é um resgate necessário da história e da ancestralidade de seu povo, unindo a comunidade em torno de valores comuns de caridade e respeito.
Impacto social e cultural na comunidade
A distribuição de doces, elemento mais icônico da festa, funciona como um catalisador de integração social. O gesto, que atravessa barreiras religiosas, é visto pelos participantes como uma ferramenta de união que combate discursos de ódio. Ao promover o encontro entre diferentes gerações, a tradição de Cosme e Damião permanece viva como um símbolo de resistência e esperança no calendário cultural carioca.
Para mais informações sobre o contexto histórico e cultural das celebrações, consulte a Agência Brasil, que acompanha as manifestações religiosas em todo o território nacional.













