A dor da perda permanece viva três décadas após o trágico acidente aéreo que marcou a história da aviação nacional. Naquela data, um voo que seguia para o Rio de Janeiro decolou e sofreu uma pane logo nos primeiros instantes, colidindo contra edificações urbanas e resultando em dezenas de mortes de passageiros, tripulantes e moradores da região afetada.
Entre os que partiram estava o médico cardiologista José Rahal Abu Assali, cuja esposa o havia deixado momentos antes no terminal aeroportuário. O impacto da tragédia transformou rotinas da noite para o dia e deu início a uma mobilização histórica por justiça, amparo aos enlutados e transformações profundas nas normas de segurança do setor.
A criação da associação e a busca por direitos
A ausência de suporte institucional adequado por parte da empresa responsável na época impulsionou os parentes das vítimas a se unirem. Desse esforço conjunto nasceu a Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa), entidade pioneira no país na defesa dos direitos de quem perdeu entes queridos em catástrofes aeronáuticas.
Até então, as companhias aéreas não tinham obrigação legal de prestar assistência humanitária aos familiares. Com a pressão exercida pela organização, o cenário legislativo e corporativo mudou, tornando mandatural o suporte psicológico, logístico e material imediato após ocorrências trágicas.
Investigação técnica e falha mecânica
O relatório oficial elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos apontou que o desastre foi desencadeado pela abertura indevida do reversor da turbina direita logo após a decolagem. O mecanismo, projetado para auxiliar na frenagem durante o pouso, acionou-se prematuramente em pleno voo, desestabilizando a aeronave em segundos.
Tratava-se de uma ocorrência de probabilidade matemática extremamente baixa, para a qual a tripulação não dispunha de treinamento específico. Após a conclusão das investigações oficiais, o modelo da aeronave envolvida continuou operando por alguns anos até ser gradualmente aposentado das frotas comerciais brasileiras.
O legado permanente da memória e da prevenção
Manter o assunto em evidência funciona como um mecanismo de preservação da memória coletiva e de estímulo para que os órgãos fiscalizadores e as empresas mantenham rigor absoluto com os protocolos de segurança. A atuação da entidade fundada pelos familiares ultrapassou fronteiras institucionais, acompanhando centenas de ocorrências ao longo das décadas subsequentes.
Enquanto o tempo passa, o compromisso com a melhoria contínua dos voos comerciais permanece como a principal bandeira daqueles que transformaram o luto individual em uma causa coletiva pela preservação da vida humana.

















