Aggreko conclui compra de seis termelétricas da Brasil BioFuels no Amazonas


A Aggreko informou na segunda-feira (19) que concluiu a aquisição de seis usinas termelétricas no Amazonas, pertencentes à Brasil BioFuels (BBF), segundo o Valor Econômico. Os empreendimentos acrescentam 11,4 megawatts (MW) de capacidade instalada ao portfólio da empresa, que passa a somar 149,1 MW distribuídos em 32 usinas no Estado.

De acordo com o comunicado, as unidades adquiridas estão localizadas em Belém dos Solimões, Estirão do Equador, Palmeiras do Javari, Feijoal, Envira e Ipixuna. O valor da operação não foi divulgado. Com a transação, a Aggreko passa a deter 100% do Consórcio Geração Amazonas (CGA).

A operação encerra um processo iniciado no primeiro semestre. O CGA foi o vencedor do Leilão de Sistemas Isolados nº 02/2016 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), nos lotes A/II e A/III. Antes do negócio, a Aggreko já detinha 99% de participação no consórcio e operava diretamente 26 usinas, enquanto a BBF e a Amazonbio detinham a fatia residual de 1%, correspondente justamente às seis térmicas agora transferidas. Quando o acordo foi anunciado, em maio, sua conclusão dependia da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A venda integra as medidas de desinvestimento previstas no processo de recuperação judicial da BBF.

A companhia atua nos sistemas isolados do Amazonas, localidades não conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e que dependem de geração própria para o fornecimento de energia elétrica.

Segundo Marco Contin, diretor-geral da Aggreko no Brasil, a atuação nesses sistemas faz parte da estratégia da empresa no país. O executivo afirmou que a reunião das 32 usinas amplia a capacidade da companhia de aplicar tecnologia, conhecimento operacional e novas soluções energéticas na Amazônia.

A Aggreko informou ainda que avalia oportunidades de combinar a geração térmica com fontes renováveis e sistemas de armazenamento, com o objetivo de tornar a operação mais eficiente e reduzir o consumo de combustível sempre que possível. Em geral, as usinas dos sistemas isolados são abastecidas com óleo diesel e outros combustíveis fósseis, e sua operação é custeada por meio de um encargo embutido na conta de luz de todos os consumidores do país: a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC).

A estratégia de hibridização já está em curso. No início do ano, a empresa firmou parceria com a Huawei para instalar usinas solares acopladas a baterias em comunidades isoladas da Amazônia. De acordo com as empresas, trata-se da maior operação de armazenamento de energia já planejada no Brasil. O projeto, orçado em R$ 850 milhões, prevê microrredes solares integradas a baterias em 24 localidades do Amazonas. Mesmo com a expansão da geração renovável, as termelétricas seguirão operando como respaldo para garantir a segurança energética, devido da variabilidade da produção solar em uma região de chuvas frequentes e alta nebulosidade. O tema foi debatido no broadcast “O potencial dos sistemas BESS: a maior bateria de armazenamento do Brasil na Amazônia”, que também abordou o uso dessas soluções na indústria de data centers.

Além da atuar em sistemas isolados, a Aggreko também atende o mercado de data centers no Brasil. A empresa investiu 5 milhões de dólares (25,9 milhões de reais) em uma nova frota dedicada a projetos do setor na América Latina, voltada à energia temporária, bancos de carga para testes de geradores e comissionamento.



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