Anvisa autoriza cinco novas versões de canetas de semaglutida para diabetes

Anvisa autoriza cinco novas versões de canetas de semaglutida para diabetes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oficializou o registro de cinco novas opções de canetas de semaglutida voltadas ao tratamento de pacientes adultos diagnosticados com diabetes mellitus tipo 2 que não apresentam controle glicêmico adequado. Embora a indicação clínica seja específica para o controle da doença, esses dispositivos ganharam notoriedade popular como “canetas emagrecedoras” devido ao seu efeito na redução de peso corporal.

Novas opções terapêuticas no mercado brasileiro

Os produtos recém-aprovados pela agência reguladora incluem o Owozy, sob responsabilidade da Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda.; o Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil Ltda.; o Zempneo, produzido pela Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.; o Semavy, da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A.; e o Orsema, registrado pela Ranfaxy Farmacêutica Ltda. A autorização desses injetáveis ocorre como uma alternativa complementar à dieta e à prática de exercícios físicos.

O uso é indicado especialmente para pacientes nos quais a metformina, fármaco amplamente utilizado para diabetes e pré-diabetes, mostra-se inapropriada devido a quadros de intolerância ou contraindicações específicas. As resoluções que formalizam essas liberações, identificadas como 2.941/2026 e 2.942/2026, foram publicadas no Diário Oficial da União.

Mecanismo de ação e expansão dos sintéticos

Desenvolvidos por comparação ao medicamento biológico Ozempic, os novos fármacos utilizam a semaglutida obtida por via sintética. Esse composto atua como um análogo ao GLP-1, um hormônio natural que desempenha papel fundamental na estimulação da produção de insulina e na regulação da saciedade. A Anvisa ressalta que este é o maior volume de registros concedidos para agonistas do receptor do GLP-1 em um único período.

O avanço no setor é reflexo direto do desenvolvimento de versões sintéticas do hormônio, iniciadas em 2022. Atualmente, a agência aponta que 68% de todas as solicitações de registro para dispositivos injetáveis voltados ao tratamento de obesidade e diabetes no país referem-se a medicamentos sintéticos, consolidando uma nova tendência no mercado farmacêutico nacional.

Combate a golpes e esclarecimentos sobre a Retatrutida

A Anvisa reitera que sua função institucional limita-se à regulação e autorização de comercialização, não possuindo qualquer vínculo com a venda direta de medicamentos. A autarquia alerta que anúncios na internet que sugerem a comercialização de canetas emagrecedoras pela própria agência são fraudulentos. Denúncias sobre essas práticas devem ser encaminhadas à plataforma Fala.BR.

Adicionalmente, a agência esclarece a situação do medicamento experimental Retatrutida, da farmacêutica Eli Lilly. O produto, que ainda se encontra em fase de testes clínicos, não possui autorização de comercialização em nenhum país do mundo. Apesar disso, a substância tem sido comercializada ilegalmente em sites e redes sociais, resultando em apreensões de contrabando nas fronteiras brasileiras. O consumo desses itens clandestinos expõe a população a riscos imprevisíveis à saúde.

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