A disseminação de conteúdos falsos durante o período eleitoral ganha um novo contraponto com o lançamento da campanha nacional Boto Fé no Voto. A iniciativa, que ocorre na noite desta quinta-feira (30) na Catedral Anglicana de Brasília, visa blindar comunidades de fé contra a desinformação, promovendo o exercício do voto consciente e a defesa da verdade como pilares da cidadania.
O projeto é fruto de uma articulação entre diversas organizações ecumênicas e da sociedade civil. O objetivo central é fortalecer a circulação de informações verificadas e incentivar o debate público pautado pelo respeito e pelos direitos humanos, combatendo os impactos negativos que as notícias falsas podem gerar no tecido social e democrático do país.
Estratégia de combate à desinformação nas comunidades
Sônia Mota, diretora executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), enfatiza que a campanha, intitulada “Eu escolho a verdade”, reconhece as igrejas e grupos religiosos como espaços estratégicos de convivência. Segundo a dirigente, a fé e a cidadania devem caminhar em conjunto, baseadas na responsabilidade e no compromisso com o próximo.
A preocupação central da iniciativa é o modo como a desinformação penetra em ambientes de confiança. Quando conteúdos enganosos circulam entre pessoas que compartilham laços de fé, o potencial de influência negativa é amplificado, podendo reforçar preconceitos, gerar conflitos internos e fragilizar a credibilidade das instituições democráticas.
Educação e engajamento para o voto consciente
A campanha Boto Fé no Voto não se limita a alertas, mas propõe uma estrutura de formação contínua. As ações incluem a realização de rodas de diálogo e a produção de materiais educativos em diversos formatos, como vídeos, podcasts e conteúdos digitais, desenhados para facilitar o acesso à informação correta por parte de diferentes públicos.
O esforço busca conscientizar o cidadão sobre o impacto de seus compartilhamentos. Muitas vezes, o indivíduo propaga uma notícia falsa acreditando estar agindo de forma correta, sem ter a dimensão do dano causado à sociedade. A proposta é justamente transformar essa percepção e promover uma postura crítica diante de qualquer conteúdo recebido.
Mobilização nacional e parcerias institucionais
O evento de lançamento, marcado para as 19h, é aberto ao público e conta com uma ampla rede de apoio. Entre as entidades que compõem a coalizão estão o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), a Cáritas Brasileira, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, entre outras organizações focadas em direitos humanos e justiça social.
Para ampliar o alcance do debate, as organizações parceiras realizarão a transmissão ao vivo do lançamento pelas redes sociais. A expectativa é que o engajamento de líderes religiosos e comunicadores sociais ajude a estabelecer um padrão de ética na comunicação, essencial para a manutenção de uma democracia participativa e saudável nas eleições de 2026.













