Oito em cada dez escolas brasileiras já discutem efeitos do uso de telas na saúde mental

Oito em cada dez escolas brasileiras já discutem efeitos do uso de telas na saúde mental

O debate sobre os efeitos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes tornou-se uma prioridade nas instituições de ensino brasileiras. Segundo dados da pesquisa TIC Educação 2025, realizada pelo Cetic.br, oito em cada dez escolas já incorporaram o tema em suas agendas, um crescimento expressivo de 18 pontos percentuais em relação ao ano anterior, quando a marca era de 62%.

Crescimento do diálogo entre escola e famílias

A mobilização das instituições reflete uma preocupação crescente com o comportamento dos jovens no ambiente virtual. Em 2025, 75% dos gestores realizaram reuniões com pais e responsáveis para discutir o uso de tecnologias, enquanto 86% promoveram conversas internas com professores e funcionários. Esses encontros focaram não apenas nos riscos, mas na promoção de um uso crítico e responsável das ferramentas digitais.

A inclusão da educação midiática no currículo escolar também ganhou tração, saltando de 46% para 67% das instituições. Apesar do avanço, a desigualdade persiste: ações voltadas aos alunos são mais frequentes em escolas urbanas (72%) e naquelas que já oferecem infraestrutura de computadores e internet, evidenciando um abismo estrutural que ainda precisa ser superado.

Barreiras para a implementação da educação digital

Apesar do engajamento pedagógico, os gestores enfrentam obstáculos significativos para consolidar essas práticas. A baixa participação das famílias é apontada por 75% dos entrevistados como o principal desafio, seguida pela escassez de materiais didáticos e recursos de apoio. Nas escolas que ainda não realizam atividades sobre o tema, a falta de insumos chega a ser o entrave para 77% dos gestores.

Daniela Costa, coordenadora da pesquisa, destaca que a equidade na oferta de educação digital depende de políticas públicas estruturadas. A integração entre a escola e o núcleo familiar é considerada essencial para que a mediação do consumo digital seja eficaz, exigindo que o Estado forneça o suporte necessário para que educadores compreendam temas complexos, como o funcionamento de algoritmos e sistemas de inteligência artificial.

Regras de uso para dispositivos móveis

A política de restrição ao uso de celulares pessoais varia conforme o nível de ensino. Atualmente, 51% das escolas proíbem que os alunos levem o aparelho para o ambiente escolar, com maior rigor nas turmas dos anos iniciais (69%). Já nas instituições que permitem o porte, o uso pedagógico é autorizado em 66% dos casos, sendo mais comum em regiões com maiores barreiras de conectividade, como o Norte e o Nordeste do país.

Adoção da inteligência artificial na gestão escolar

Pela primeira vez, o levantamento mapeou o uso de inteligência artificial generativa na gestão. Cerca de 53% dos gestores já utilizam essas ferramentas para tarefas administrativas, como a criação de comunicados e a tradução de textos. Contudo, a formalização desse uso ainda é incipiente: apenas 22% das escolas possuem um guia de orientações sobre a aplicação da IA no ensino, embora 37% já permitam que os estudantes utilizem a tecnologia em tarefas educacionais.

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