Zuenir Ventura morre aos 95 anos e deixa legado fundamental para o jornalismo brasileiro

Zuenir Ventura morre aos 95 anos e deixa legado fundamental para o jornalismo brasileiro

A trajetória de Zuenir Ventura no jornalismo e na literatura

O Brasil perdeu nesta terça-feira (22) uma de suas vozes mais lúcidas e influentes. O jornalista e escritor Zuenir Ventura faleceu aos 95 anos em sua residência, vítima de uma pneumonia. A notícia foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual ele era membro titular desde 2015, ocupando a cadeira número 32, anteriormente pertencente ao escritor Ariano Suassuna.

Nascido em 1931, na cidade de Além Paraíba, em Minas Gerais, Ventura construiu uma carreira sólida que atravessou décadas de transformações políticas e sociais no país. Além de sua atuação nas redações, ele dedicou parte de sua vida ao ensino acadêmico, tendo lecionado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Uma carreira dedicada à apuração e à crônica social

A trajetória profissional de Zuenir Ventura teve início em 1956, quando ingressou no mercado editorial como arquivista. Com o passar dos anos, sua capacidade analítica o levou a ocupar cargos estratégicos, atuando como repórter, colunista, editor e diretor de redação em veículos de grande relevância nacional.

Sua passagem por redações como o jornal O Globo, o Correio da Manhã e o Jornal do Brasil, além de publicações como as revistas Veja e Visão, consolidou seu nome como uma referência no jornalismo investigativo e na crônica política. Ele foi um observador atento das nuances do poder e do cotidiano brasileiro.

Obras marcantes e impacto na cultura nacional

Além do jornalismo diário, Ventura deixou uma marca indelével na literatura de não-ficção. Sua obra 1968 – o ano que não terminou tornou-se um marco editorial, vendendo centenas de milhares de exemplares e ajudando gerações a compreenderem o impacto da ditadura militar na sociedade brasileira. Outro título fundamental, Cidade partida, ofereceu um olhar profundo sobre a violência urbana no Rio de Janeiro, sendo reconhecido com o prestigiado Prêmio Jabuti de Reportagem.

Conforme informações divulgadas pela Academia Brasileira de Letras, as cerimônias de despedida estão programadas para esta quarta-feira (23). O velório ocorrerá na sede da ABL, no Rio de Janeiro, seguido pelo sepultamento no mausoléu da instituição, localizado no Cemitério São João Batista.

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