Milhares de crianças em Gaza retornaram às salas de aula no sábado (20), marcando o início de um ano letivo em condições sem precedentes. Após um hiato de três anos causado pelo conflito na região, o sistema educacional tenta se reerguer em meio a escombros, utilizando estruturas improvisadas, tendas e prédios parcialmente danificados para retomar o ensino presencial.
O impacto da destruição na rede de ensino
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelam a dimensão da crise humanitária que atingiu o setor educacional. Aproximadamente 98% das escolas em Gaza foram destruídas ou sofreram danos severos durante os combates. Estima-se que cerca de 660 mil alunos tenham sido privados de acesso regular à educação desde o início da guerra.
O custo humano do conflito para a comunidade escolar é devastador. Segundo Ibrahim Ramadan, diretor de Educação de Khan Younis Oriental, cerca de 22 mil estudantes e mais de 770 profissionais da educação, incluindo 532 professores, perderam a vida. A retomada, embora celebrada como um símbolo de resistência, ocorre sob um cenário de fragilidade extrema.
Adaptação em escolas improvisadas e tendas
Para viabilizar o ano letivo de 2026-2027, o Ministério da Educação, em parceria com organizações internacionais, implementou uma rede de ensino temporária. As novas salas de aula são formadas por lonas, chapas de metal, madeira e, em alguns casos, apenas colchões dispostos sobre o solo arenoso. Estas estruturas também servem, frequentemente, como abrigo para famílias deslocadas.
Apesar da precariedade, a determinação dos alunos permanece como o pilar central da iniciativa. Estudantes relatam a transição do ensino remoto via celulares, que se mostrou insuficiente, para o convívio presencial. O ambiente, contudo, é marcado pelo medo constante de ataques e pela falta de materiais básicos, como cadernos e canetas, que se tornaram itens de luxo devido às restrições de importação.
Desafios econômicos e o custo do material escolar
A escassez de suprimentos é agravada pelas restrições impostas ao acesso de mercadorias em Gaza. O comerciante Khaled Aliyan aponta que o preço de itens essenciais, como cadernos, sofreu uma inflação drástica, chegando a custar cinco vezes mais do que o valor praticado antes do conflito. Essa barreira financeira impede que muitas famílias consigam equipar seus filhos para o retorno às atividades.
Enquanto cerca de 540 mil alunos buscam retomar o aprendizado presencial, o ensino a distância permanece como alternativa para aqueles impossibilitados de comparecer aos centros temporários. A situação permanece tensa, com forças israelenses mantendo o controle sobre grande parte do território, enquanto o saldo de mortos desde outubro de 2023 ultrapassa 73 mil pessoas, segundo autoridades locais.












