Maria Cândida: ‘Menopausa não deve ser um sofrimento’


No caso da menopausa, a escuta das mulheres dá sentido ao trabalho. Segundo ela, as perguntas existem, as necessidades existem e há muitas histórias que merecem ser contadas. O desafio é conseguir estrutura, financiamento e distribuição para fazer esse conteúdo chegar às pessoas.

Os sintomas da menopausa, inspiração do projeto, podiam afetar justamente as ferramentas que ela usava para colocar tudo isso em pé, como a energia, concentração, memória e disposição para lidar com as pessoas. “Para quem entrevista, apresenta e precisa organizar o pensamento com rapidez, um esquecimento pode causar muita insegurança”, confessa.

Insônia e a exaustão também pesavam porque era uma agenda intensa, mas o corpo não acompanhava e a irritabilidade podia interferir nas relações profissionais e pessoais. Nos dias difíceis, ela descobriu que precisava avaliar o que realmente exigia presença e energia naquele momento. Nem toda tarefa, ela diz, tem a mesma urgência, e foi preciso considerar o tempo de recuperação entre compromissos. “Falar de longevidade também exige pensar em como organizamos a vida hoje”.

Em sua rotina, tem procurado manter as caminhadas e a musculação, além do acompanhamento médico. Por saber o quanto interferem no restante da vida, dá muita atenção ao sono e à saúde mental.

Quero estimular a mulher a observar o próprio corpo, levar suas queixas a sério e procurar cuidado. Ela não precisa aceitar como inevitável um sofrimento que compromete sua vida

A exposição da intimidade

Ao falar de sintomas, de saúde mental ou de vida íntima, Maria se expõe. Isso envolve assuntos delicados, mas tem a finalidade de ajudar alguém a reconhecer uma situação, procurar informação ou se sentir mais à vontade para pedir ajuda.”Não tenho vergonha de nada. Ao falar publicamente, considero a utilidade daquela informação para quem me acompanha. Se uma experiência minha pode ajudar outra mulher a reconhecer um sintoma ou formular uma pergunta na consulta, existe um sentido em compartilhá-la. Uma mulher conhecida também pode ter dúvidas, dificuldades e precisar de cuidado. Mostrar isso aproxima a conversa da vida real”, ela diz, sabendo que o julgamento faz parte do ambiente público, especialmente quando mulheres falam de corpo, sexualidade e envelhecimento. “Quero contribuir para que esses assuntos possam ser tratados com naturalidade e respeito”, diz.



Source link

Compartilhe nas Redes

últimas noticias