Idosa ficou nove dias internada na Espanha após contrair o vírus do Nilo Ocidental, que pode provocar complicações neurológicas graves
Publicado em 24 de outubro de 2026 às 13:56

Uma picada de mosquito provocou uma infecção que terminou com a morte de Granada Romero Ruiz, de 86 anos, na Espanha. A idosa contraiu o vírus do Nilo Ocidental, uma doença transmitida por mosquitos infectados que, nos casos mais graves, pode atingir o sistema nervoso e provocar paralisia. Ela morreu em julho de 2024, depois de passar nove dias internada em um hospital de Sevilha, no sul do país.>
Segundo o filho da vítima, Antonio Pineda, Granada levava uma vida ativa e não apresentava problemas de saúde conhecidos antes de adoecer. A família foi surpreendida pela rápida evolução do quadro. “Ela não tinha problemas de saúde latentes, estava saudável, ativa e com uma vida normal”, declarou Antonio à imprensa espanhola na época.>
Combate a mosquitos por Shutterstock
O caso ganhou repercussão também por um histórico familiar. Em 2016, o marido de Granada havia sido infectado pelo mesmo vírus, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre as consequências da doença para ele.>
Após a morte, a Prefeitura de La Puebla del Río, município da província de Sevilha, divulgou uma manifestação de pesar e cobrou o reforço das medidas de combate aos mosquitos. A administração municipal defendeu ações permanentes de controle dos insetos e maior participação das autoridades responsáveis pela saúde pública.>
O que é o vírus do Nilo Ocidental?>
O vírus do Nilo Ocidental é transmitido principalmente pela picada de mosquitos infectados, especialmente os do gênero Culex, também conhecidos no Brasil como pernilongos ou muriçocas. As aves são os principais reservatórios do vírus na natureza, enquanto os mosquitos participam de sua circulação.>
A transmissão para seres humanos ocorre quando um mosquito infectado pica uma pessoa. O vírus não costuma ser transmitido pelo contato cotidiano entre indivíduos, como abraços, apertos de mão ou compartilhamento de objetos.>
Embora seja frequentemente chamado de “vírus paralisante”, esse não é seu nome científico. A expressão faz referência a uma das possíveis complicações da infecção: a paralisia flácida aguda, condição neurológica que pode provocar perda de força e dificuldade para movimentar determinadas partes do corpo.>
A maioria das pessoas infectadas não desenvolve sintomas. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), aproximadamente 80% dos infectados permanecem assintomáticos, enquanto cerca de 20% apresentam manifestações semelhantes às de uma virose.>
Menos de 1% dos casos evolui para formas graves que comprometem o sistema nervoso central.>
Quando aparecem, os primeiros sintomas podem incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, náuseas, vômitos e manchas na pele. Em geral, essas manifestações surgem entre dois e 14 dias após a picada do mosquito infectado.>
Nos quadros mais graves, a infecção pode provocar meningite, encefalite ou comprometimento da medula espinhal. Nesses casos, os pacientes podem apresentar rigidez na nuca, confusão mental, tremores, convulsões, fraqueza muscular e até paralisia. A evolução pode ser especialmente perigosa para pessoas idosas ou com condições que comprometem o sistema imunológico. >
Pessoas com mais de 60 anos apresentam maior risco de desenvolver complicações neurológicas. Pacientes com câncer, diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas também podem ter maior vulnerabilidade às formas graves da infecção.>
Existe tratamento para a doença?>
Não existe medicamento antiviral específico aprovado para tratar a infecção pelo vírus do Nilo Ocidental em seres humanos. O atendimento médico é direcionado ao controle dos sintomas e à prevenção de complicações. Nos casos leves, a recuperação costuma ocorrer com repouso, hidratação e medicamentos para aliviar febre e dores, conforme orientação médica.>
Já os pacientes que desenvolvem complicações neurológicas podem precisar de internação hospitalar, monitoramento contínuo e suporte respiratório. Algumas pessoas apresentam sequelas que persistem por meses ou até mais tempo após a infecção. Também não há vacina licenciada para prevenir a doença em seres humanos.>
Como evitar a infecção?>
A principal forma de prevenção é reduzir a exposição às picadas de mosquitos. O uso de repelentes registrados pelos órgãos sanitários, telas em portas e janelas e roupas que cubram braços e pernas ajuda a diminuir o risco. Outra medida importante é eliminar locais que favoreçam a reprodução dos insetos, especialmente recipientes com água parada.>
O vírus do Nilo Ocidental circula em diferentes regiões do mundo, incluindo países da Europa, África e Américas. No Brasil, também já foram identificadas infecções humanas, embora a doença seja menos frequente que outras arboviroses, como dengue, zika e chikungunya.>














