O Airbnb anunciou nesta semana que restringirá as tarefas domésticas que os anfitriões podem exigir dos hóspedes, incluindo retirar os lençóis das camas e lavar a louça, após reclamações de viajantes sobre as obrigações de limpeza impostas a eles.
A política será aplicada às reservas feitas a partir de 20 de novembro e orienta os anfitriões a estabelecer regras domésticas “razoáveis” e informá-las em uma seção específica do anúncio do imóvel. Os anfitriões não poderão introduzir novas exigências ou solicitações depois que o hóspede fizer a reserva, seja por meio de mensagens, avisos afixados no imóvel ou conversas com os hóspedes.
As tarefas de limpeza exigidas no momento da saída não devem “demandar tempo ou esforço significativos, nem ser tarefas que normalmente seriam realizadas por um profissional de limpeza”, afirmou o Airbnb, acrescentando que os anfitriões correm o risco de receber uma advertência ou de ter seus anúncios menos visíveis nas buscas da plataforma caso suas regras violem os novos requisitos.
“As regras da casa ajudam os hóspedes a entender o que os anfitriões esperam, mas ouvimos de nossa comunidade que elas podem ser confusas, excessivamente exigentes e difíceis de administrar”, afirmou a empresa em um comunicado na quinta-feira.
Alguns anfitriões se opuseram às mudanças, argumentando que elas eram descabidas. Uma petição na plataforma Change.org, que reunia cerca de quatro mil assinaturas na manhã desta quinta-feira, pedia que o Airbnb revertesse a política.
“Há uma distinção clara entre preparar um imóvel para o próximo hóspede e arrumar a sujeira resultante das atividades cotidianas do hóspede anterior”, dizia a petição, acrescentando: “Lavar a louça que você usou não é o mesmo que limpar um imóvel inteiro”.
As mudanças nas preferências dos consumidores e as regulamentações obrigaram o Airbnb, uma startup que surfou a onda da chamada “economia da disrupção”, a ajustar seu modelo de negócios.
Fundada originalmente como uma plataforma para conectar proprietários de imóveis a viajantes em busca de aluguéis de curta duração como alternativa aos hotéis, a empresa passou a incluir, neste ano, anúncios de hotéis independentes e butique, em uma tentativa de se tornar um “balcão único” para viagens, afirmou o CEO Brian Chesky durante uma teleconferência sobre os resultados financeiros, em agosto.
Em uma entrevista concedida ao The New York Times em maio, Chesky reconheceu que alguns anfitriões estavam exigindo que os hóspedes realizassem tarefas domésticas em excesso. Colocar o lixo na lixeira é aceitável, disse ele, mas os hóspedes não deveriam ter que levar o lixo para fora.
— Ninguém deveria ter que colocar as toalhas na máquina de lavar e ligá-la — afirmou na ocasião. — Para os anfitriões, o importante é lembrar de ser o mais hospitaleiros possível. Essas pessoas estão de férias e, durante as férias, devem estar livres das tarefas domésticas.













