Nordeste debate criação de reservas marinhas para proteger Montes Oceânicos gigantes

Nordeste debate criação de reservas marinhas para proteger Montes Oceânicos gigantes

Submersas nas águas que banham o litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará, encontram-se formações geológicas gigantescas que chegam a medir até cinco mil metros de altura. Estas montanhas submarinas superam em altitude o Pico da Neblina, situado no Amazonas e reconhecido como o ponto mais elevado da superfície terrestre do país, abrigando mais de cem espécies entre peixes, tubarões, corais e esponjas.

Além da rica biodiversidade local, esses relevos subaquáticos desempenham um papel ecológico essencial ao servirem como rotas migratórias e corredores biológicos para tartarugas e aves marinhas. A discussão sobre a salvaguarda ambiental destas áreas deu um passo importante com o início de debates promovidos por órgãos competentes voltados à criação de novas reservas ecológicas.

Debates e propostas para novas reservas ambientais

As discussões servem como espaço para que diferentes setores da sociedade e entidades organizadas analisem o projeto de estabelecimento de três novas zonas de proteção na região. Entre as áreas em estudo estão os Refúgios de Vida Silvestre Cadeia Fernando de Noronha e Cadeia Norte do Brasil, além de uma Área de Proteção Ambiental destinada aos montes oceânicos.

Em conjunto, os territórios em análise totalizam mais de dezoito milhões de hectares, correspondendo a uma extensão expressiva de espaço marítimo. Os levantamentos técnicos necessários para embasar a proposta foram iniciados anos antes por especialistas de universidades federais e centros de pesquisa especializados em conservação marinha.

Impactos da pesca industrial e histórico de danos

Um dos fatores de maior pressão sobre a fauna marinha da região é a atividade pesqueira de grande porte, voltada principalmente para a captura de atuns e operada por embarcações industriais. Especialistas apontam que a movimentação financeira anual desse setor é bastante expressiva, gerando dezenas de milhões de reais.

Relatórios técnicos indicam que práticas de pesca predatória realizadas no passado causaram perdas severas na biomassa de peixes de topo em diversos bancos da região. Os danos provocados por redes de arrasto deixaram marcas profundas que ainda comprometem o equilíbrio ecológico do substrato marinho.

Conflitos com setores de energia e mineração

Além da pressão pesqueira, os ecossistemas marinhos enfrentam potenciais ameaças ligadas à exploração de recursos energéticos e minerais. Embora existam sobreposições entre os perímetros das reservas propostas e blocos voltados à pesquisa de petróleo, especialistas avaliam que a extração nesses locais é inviável devido às características geológicas vulcânicas da área.

Por outro lado, iniciativas voltadas à extração de fosfato para a produção de fertilizantes nos cumes submarinos representam um risco ambiental considerado crítico por gestores públicos. O debate envolve negociações diretas com pastas governamentais para contrapor interesses de exploração mineral à preservação da vida marinha e à sustentabilidade da pesca artesanal.

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