Contas públicas fecham junho com rombo de R$ 55,3 bilhões e alta na dívida bruta

Contas públicas fecham junho com rombo de R$ 55,3 bilhões e alta na dívida bruta

O setor público consolidado, que engloba a União, estados, municípios e empresas estatais, registrou um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho de 2026. Os dados foram oficializados pelo Banco Central por meio do relatório de Estatísticas Fiscais, evidenciando uma pressão crescente sobre as contas públicas em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o saldo negativo foi de R$ 47,1 bilhões.

Crescimento do déficit e impacto dos juros nominais

O cenário fiscal reflete um aumento expressivo nos gastos com juros nominais, que totalizaram R$ 110,7 bilhões em junho, superando significativamente os R$ 61,0 bilhões observados em junho de 2025. Segundo a autoridade monetária, essa elevação foi impulsionada pela evolução desfavorável das operações de swap cambial, que passaram de um ganho de R$ 20,9 bilhões para uma perda de R$ 9,3 bilhões no intervalo de um ano.

No acumulado de 12 meses até junho de 2026, os juros nominais atingiram a marca de R$ 1,16 trilhão, o equivalente a 8,80% do Produto Interno Bruto (PIB). Em termos nominais, o resultado consolidado do setor público apresentou um déficit de R$ 166 bilhões apenas no mês de junho, elevando o acumulado anual para R$ 1,31 trilhão, ou 9,99% do PIB.

Desempenho por esferas governamentais

A composição do resultado primário negativo de junho de 2026 revela que todas as esferas contribuíram para o desequilíbrio das contas. O Governo Central liderou o déficit com R$ 47,2 bilhões, seguido pelos governos regionais, que registraram R$ 6,6 bilhões negativos. As empresas estatais completaram o quadro com um déficit de R$ 1,5 bilhão.

No recorte de 12 meses, o déficit do setor público consolidado alcançou R$ 157,2 bilhões, representando 1,19% do PIB. Este indicador apresentou uma deterioração de 0,06 ponto percentual em relação ao resultado acumulado até maio, sinalizando um desafio contínuo para a estabilização das metas fiscais vigentes.

Evolução da dívida líquida e bruta

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) encerrou junho em 68,5% do PIB, totalizando R$ 9 trilhões. O crescimento mensal de 0,6 ponto percentual foi influenciado majoritariamente pela apropriação de juros nominais e pelo déficit primário. Ajustes na dívida externa e a variação do PIB nominal também compuseram a equação que define a trajetória do endividamento nacional.

Paralelamente, a Dívida Bruta do Governo Geral, que compreende o governo federal, o INSS e os entes subnacionais, atingiu 81,9% do PIB, chegando a R$ 10,8 trilhões. O aumento de 0,9 ponto percentual no mês reflete, além dos juros, as emissões líquidas de dívida realizadas pelo Tesouro. No acumulado do ano, a dívida bruta acumula uma alta de 3,3 pontos percentuais do PIB.

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