O mercado de trabalho brasileiro apresentou um cenário de resiliência no segundo trimestre de 2026. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego nacional atingiu 5,4%, marcando o menor índice já registrado para o período. Entre as 27 unidades da federação, 11 estados conseguiram manter seus níveis de desocupação abaixo dessa média, refletindo disparidades regionais na dinâmica econômica do país.
Desempenho regional e disparidades no mercado de trabalho
A análise dos dados revela que cinco estados brasileiros registraram taxas de desemprego inferiores a 3%. Santa Catarina lidera o cenário positivo com 2,1%, seguido por Mato Grosso (2,2%), Espírito Santo (2,3%), Rondônia (2,6%) e Mato Grosso do Sul (2,7%). Esse desempenho reflete, segundo o analista do IBGE William Kratochwill, a influência direta de fatores como o nível de industrialização, a evolução da atividade econômica local e o grau de instrução da força de trabalho em cada região.
O levantamento aponta uma clara distinção entre as regiões brasileiras. Enquanto o Sul do país apresenta indicadores robustos, estados do Norte e Nordeste ainda enfrentam desafios estruturais mais acentuados. Apesar disso, o movimento de queda foi abrangente: 13 localidades registraram redução no desemprego no período, com destaque para Rio Grande do Norte, Paraíba e Acre, que apresentaram as quedas mais expressivas em pontos percentuais.
Evolução histórica e o fenômeno do desemprego longo
Um dos dados mais significativos da pesquisa é a redução do chamado desemprego longo, que compreende pessoas em busca de ocupação há dois anos ou mais. O contingente de 1,06 milhão de pessoas nessa situação representa o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. Em comparação ao mesmo trimestre de 2025, houve um recuo de 15,6%, sinalizando uma maior fluidez na recolocação profissional de trabalhadores que estavam afastados do mercado por longos períodos.
A metodologia do IBGE, que considera ocupadas todas as formas de trabalho — formal, informal, temporário ou por conta própria —, reforça que a queda na taxa nacional de 6,1% no primeiro trimestre para 5,4% no segundo trimestre é um reflexo de uma dinâmica de contratação mais ativa. Para ser contabilizado como desocupado, o cidadão deve ter buscado ativamente uma vaga nos 30 dias anteriores à coleta dos dados, realizada em 211 mil domicílios pelo país.
Desigualdades estruturais por gênero e raça
Apesar da melhora nos indicadores gerais, a pesquisa evidencia que o desemprego não afeta a população de maneira uniforme. A taxa de desocupação entre homens foi de 4,6%, enquanto entre as mulheres o índice atingiu 6,4%. A análise por cor ou raça também aponta discrepâncias: a taxa de desemprego para brancos ficou em 4,2%, abaixo da média, enquanto pretos (6,9%) e pardos (6,1%) registraram índices superiores.
É importante ressaltar que, conforme o Estatuto da Igualdade Racial, a população negra é composta pelo conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas. O monitoramento contínuo desses recortes é fundamental para que políticas públicas possam endereçar as barreiras de acesso ao emprego que ainda persistem para grupos específicos, mesmo em momentos de aquecimento da economia nacional.













