Fóssil de peixe com 254 milhões de anos é descoberto em Mato Grosso

Fóssil de peixe com 254 milhões de anos é descoberto em Mato Grosso

Um estudo científico recente revelou a descoberta de uma nova espécie de peixe pré-histórico que habitou a região do atual Mato Grosso há cerca de 254 milhões de anos. O fóssil, encontrado no município de Alto Garças, destaca-se pelo seu nível excepcional de preservação, oferecendo aos pesquisadores uma visão detalhada da fauna que povoava o continente sul-americano pouco antes de um dos eventos de extinção em massa mais severos da história do planeta.

Características biológicas e classificação do espécime

O animal pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas, conhecidos como actinopterígios. Este grupo é extremamente diverso e compreende cerca de 96% dos peixes vertebrados atuais, como o atum e o salmão. Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento, o espécime apresentava uma proteção corporal robusta composta por escamas formadas por dentina e esmalte, materiais idênticos aos encontrados na dentição humana.

Devido ao tamanho reduzido de seus dentes, a análise sugere que a dieta do animal era baseada em pequenos invertebrados e plantas. A descoberta foi detalhada em uma pesquisa que contou com a participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), consolidando-se como um marco para o entendimento dos ecossistemas do período Permiano Superior.

Importância científica e contexto geológico

O exemplar encontrado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira é considerado o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já registrado no estado. Enquanto a maioria dos achados fósseis dessa era se limita a fragmentos isolados, como escamas ou dentes, este espécime conserva praticamente todo o corpo, permitindo estudos anatômicos mais precisos.

O peixe vivia em um sistema aquático continental, formado a partir de um mar interior que existia quando a América do Sul e a África ainda integravam o supercontinente Gondwana. A localização do achado, a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha — a maior estrutura do tipo na América do Sul —, adiciona uma camada extra de interesse geológico à pesquisa.

Contribuição para a paleontologia sul-americana

A pesquisadora Valéria Gallo, do Departamento de Zootecnia da Uerj, ressalta que o estado de conservação do fóssil é fundamental para o avanço da ciência na região. O exemplar permite que paleontólogos identifiquem a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná, facilitando correlações entre diferentes formações geológicas.

O fóssil está atualmente depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. O estudo contribui para preencher lacunas significativas no registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul, um período ainda pouco explorado pela comunidade científica internacional.

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