Índice oficial de preços cai a 0,07% em julho e entra na meta estipulada pelo governo

Índice oficial de preços cai a 0,07% em julho e entra na meta estipulada pelo governo

A inflação oficial brasileira apresentou um novo arrefecimento no mês de julho, registrando alta de 0,07%. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), marca o quarto mês consecutivo de desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com esse resultado, o acumulado em 12 meses atingiu 4,44%, recolocando o indicador dentro da meta estabelecida pelo governo.

Desempenho do IPCA e o retorno à meta governamental

O comportamento dos preços nos últimos meses permitiu que o acumulado anual voltasse a oscilar dentro do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional. A meta central é de 3%, com um limite superior de 4,5%. Após ultrapassar o teto em maio e junho, o índice de 4,44% em julho sinaliza um alívio momentâneo para o controle de preços no país.

O resultado de julho foi o menor registrado desde agosto de 2025. O índice de difusão, que mede a disseminação dos aumentos entre os 377 produtos e serviços pesquisados, ficou em 50%, indicando um equilíbrio entre itens que subiram e itens que registraram queda ou estabilidade.

Alimentação e bebidas puxam o recuo dos preços

O grupo de alimentação e bebidas, que possui o maior peso no orçamento das famílias, foi o principal responsável pela contenção da inflação, registrando deflação de 0,67%. Este é o segundo mês consecutivo em que o setor apresenta queda, impulsionado principalmente pela maior oferta de produtos no campo, favorecida por condições climáticas mais estáveis.

Itens essenciais da cesta básica registraram quedas expressivas, como o tomate (-29,09%), a batata-inglesa (-19,59%) e a cenoura (-14,41%). O café moído também contribuiu para o cenário positivo, com recuo de 2,45%. Segundo análise do IBGE, a queda acumulada do café em 12 meses, de 17,2%, representa a maior redução para o produto desde a implementação do Plano Real em 1994.

Pressão nos custos de energia e transportes

Enquanto os alimentos trouxeram alívio, o setor de habitação sofreu pressão, com a energia elétrica registrando alta de 3,09%. O impacto foi motivado por reajustes tarifários aplicados em capitais como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Contudo, a expectativa é de que o cenário mude em agosto, com a aplicação do Bônus Itaipu, medida aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para reduzir o custo final ao consumidor.

No segmento de transportes, o cenário foi misto. As passagens aéreas apresentaram uma alta acentuada de 11,67%, sendo o item de maior impacto individual de alta no mês. Em contrapartida, os combustíveis registraram queda de 1,44%, com recuos generalizados na gasolina, etanol e óleo diesel, ajudando a compensar a pressão inflacionária de outros setores.

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