O tradicional Festival de Brasília do Cinema Brasileiro não será realizado em 2026. A decisão de cancelar a 59ª edição do evento, que estava programada para ocorrer entre 11 e 19 de setembro, foi comunicada aos organizadores pelo Governo do Distrito Federal (GDF) na segunda-feira (10). A notícia interrompe uma trajetória histórica do mais longevo festival de cinema do país.
A interrupção do cronograma causou forte reação na classe artística e entre os profissionais do audiovisual. O evento já contava com um número recorde de 1.928 filmes inscritos, sendo que mais de 80 obras já haviam sido confirmadas para a programação. Uma coletiva de imprensa, que detalharia as exibições, estava agendada para o dia 18 de agosto.
Impactos no setor e reação da classe artística
O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, manifestou seu descontentamento por meio das redes sociais. Ele destacou que a seleção dos filmes já estava concluída e que os profissionais envolvidos planejavam suas estreias no Cine Brasília. Valente convocou o setor e as associações a se unirem para buscar uma reversão do cenário atual.
Representantes de entidades como a Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API) e a Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan) também se posicionaram. Tiago de Aragão associou o cancelamento a uma crise financeira no GDF envolvendo o Banco de Brasília (BRB), enquanto Tatiana Costa ressaltou o peso simbólico da decisão, comparando a interrupção apenas aos períodos da ditadura militar.
Importância histórica e patrimonial do evento
Fundado em 1965, o festival consolidou-se como um pilar de debate e difusão da produção nacional. Desde 2007, o evento é reconhecido oficialmente como patrimônio imaterial do Distrito Federal. A mostra é famosa por exigir que as obras sejam inéditas, premiando os destaques com o tradicional Troféu Candango.
Para cineastas como Carina Bini, o impacto vai além da exibição cultural, afetando diretamente a cadeia produtiva e a economia local. A cineasta enfatizou que o festival gera empregos e movimenta o mercado de trabalho do audiovisual, tornando a ausência do evento uma perda significativa para o cenário cultural brasileiro. A Agência Brasil buscou um posicionamento da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, mas não obteve retorno até o momento.













