A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, oficializou um acordo estratégico de exploração de petróleo com o governo dos Estados Unidos. O pacto, anunciado na sexta-feira (28), marca uma nova fase nas relações diplomáticas entre Caracas e Washington, retomadas formalmente em março de 2026, meses após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças militares norte-americanas.
Expansão da produção e investimentos bilionários
O protocolo estabelecido prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com um potencial estimado em 65 bilhões de barris de petróleo. Segundo Delcy Rodríguez, a iniciativa deve atrair investimentos superiores a US$ 100 bilhões, gerando uma receita fiscal para o Estado venezuelano calculada em mais de US$ 209 bilhões. O objetivo central é a modernização da infraestrutura de hidrocarbonetos, visando elevar a capacidade produtiva do país, que atualmente opera em 1,23 milhão de barris por dia.
Contexto da crise energética norte-americana
Para os Estados Unidos, o acordo surge como uma resposta direta à pressão interna pelos elevados preços dos combustíveis e ao cenário de instabilidade global, agravado pelo conflito no Irã. Donald Trump classificou a negociação como o maior acordo petrolífero da história mundial, destacando a importância de garantir o acesso às vastas reservas venezuelanas, que somam cerca de 303 bilhões de barris, para recompor as reservas estratégicas norte-americanas, que caíram abaixo de 300 milhões de barris em agosto de 2026.
Desdobramentos da sucessão presidencial
A formalização deste pacto ocorre em um momento de reconfiguração política na Venezuela. Desde a retirada de Nicolás Maduro do país em 3 de janeiro de 2026, em uma operação militar conduzida pelo Exército dos Estados Unidos, Delcy Rodríguez assumiu a liderança do Executivo. O ex-presidente e sua esposa, Cilia Flores, permanecem detidos em uma unidade federal no Brooklyn, em Nova York, sob acusações relacionadas ao suposto comando de um cartel de drogas, alegações que seguem sendo debatidas por especialistas internacionais.
Perspectivas para a indústria de hidrocarbonetos
A parceria busca transformar a Venezuela em uma potência energética produtiva, utilizando a expertise e o capital privado para superar gargalos históricos de infraestrutura. Conforme dados da Administração de Informação Energética dos EUA, embora o país possua 17% da oferta mundial de petróleo, a produção atual ainda é limitada por anos de subinvestimento. A expectativa das autoridades é que o fluxo de recursos promova a recuperação econômica e a estabilidade do mercado energético no hemisfério.











