A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta segunda-feira (10), uma operação conjunta focada em apurar possíveis irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões pertencentes ao Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev). Os recursos foram destinados a operações financeiras vinculadas ao Banco Master, instituição que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 devido a uma severa crise de liquidez e violações normativas.
Ação coordenada e alvos da investigação
A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão em cidades situadas em Alagoas e São Paulo. Entre os alvos da medida judicial estão o atual secretário de Fazenda de Maceió, João Felipe Alves Borges, além de ex-gestores do Iprev, como Ronnie Reyner Teixeira Mota e Gustavo Antônio Rodrigues de Souza. Também foram incluídos na lista de investigados Renan Foglia Calamia, dirigente da consultoria Crédito & Mercado, Marília Alexandre de Lima Alves e Marcelo Brasileiro Santos.
Suspeitas de gestão temerária e terceirização indevida
De acordo com as autoridades, a consultoria Crédito & Mercado teria desempenhado um papel central na viabilização dos investimentos. A PF aponta que a empresa foi contratada pelo Iprev para conduzir o credenciamento e a validação das operações junto ao Banco Master, o que, na visão dos investigadores, configura uma terceirização indevida de competências administrativas do instituto previdenciário. A prática teria exposto o patrimônio dos servidores a ativos de alto risco e baixa liquidez.
Decisão judicial e bloqueio de ativos
Além das buscas, o ministro André Mendonça determinou a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e valores financeiros dos seis investigados até o limite de R$ 97 milhões. A decisão visa garantir o ressarcimento aos cofres públicos diante dos indícios de gestão fraudulenta. A Agência Brasil detalha que as aplicações ocorreram em duas etapas principais: um aporte de R$ 97 milhões em dezembro de 2023 e outro de R$ 17 milhões em maio de 2024, ambos em letras financeiras emitidas pelo banco.
Falhas na governança e análise de risco
A investigação aponta que as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) apresentavam justificativas genéricas e padronizadas. Segundo o despacho de Mendonça, não foram encontrados estudos comparativos de alternativas, análises suficientes de risco de crédito ou avaliações de liquidez que justificassem a escolha do Banco Master. A ausência de motivação concreta para a alocação desses recursos reforça a tese de possível direcionamento dos investimentos, um ponto central que a PF busca esclarecer com a análise de documentos e mídias apreendidas.













