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“Se, hoje, um paciente brasileiro quiser colocar uma prótese inflável, ele terá de desembolsar algo entre R$ 60 mil e R$ 70 mil”, aponta Nascimento. “Em países onde não pesa tanto para o bolso, ela é disparadamente a preferida. Arrisco dizer que, nos Estados Unidos, é o inverso do que acontece aqui: lá, 95% das próteses são infláveis.”
Quando o urologista brasileiro fez sua formação em medicina sexual no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, ele só assistiu a um único procedimento cirúrgico para colocação do tipo maleável. “Era um caso tão grave de câncer que achavam que não compensaria colocar o modelo inflável”, recorda-se.
Repare em um detalhe da história: o sexo é um pilar de saúde e sua importância para manter a qualidade de vida deve ser reconhecida até mesmo em pacientes oncológicos graves. O mesmo reconhecimento vale para derrubar a ideia de um limite de idade para a vida sexual.
Aliás, pergunto ao doutor Nascimento se o modelo inflável seria a melhor escolha para todos os homens: “Nem sempre”, responde. “Se é um paciente com uma mão muito fraca e trêmula, ele talvez não consiga executar com facilidade o movimento para ativar a bombinha implantada no escroto.” Mas, com a prótese maleável, esse senhor fará sexo, por que não?
A ideia do estudo
Por que só agora foram entender o problema das fraturas? Com total franqueza, Bruno Nascimento conta que, desde os tempos de residência em urologia, vê uma fila de pacientes para trocar a prótese. Recentemente, quando o Hospital das Clínicas resolveu juntar duas áreas em um único departamento — a dele, que é de medicina sexual, com a de infertilidade —, os “novos” colegas estranharam aquilo. Por que acontece tanta fratura?, indagaram. “Era algo que fazia tão parte do nosso dia a dia que ninguém tinha parado para refletir”, diz Nascimento. “Então, fui atrás de dados e notei que eles simplesmente não existiam.”
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