O governo do estado do Rio de Janeiro formalizou uma estratégia de resposta integrada para enfrentar os efeitos severos do fenômeno climático El Niño. Com o objetivo de antecipar riscos e coordenar ações preventivas entre o Poder Público e as prefeituras, o Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño reuniu autoridades na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) nesta quinta-feira (20).
A iniciativa, batizada de Programa Antecipar e Reagir, busca superar o modelo de resposta reativa a emergências. A proposta central é estabelecer um fluxo contínuo de compartilhamento de dados e responsabilidades, permitindo que o estado e os municípios atuem de forma coordenada antes que eventos meteorológicos extremos causem danos significativos à população e à infraestrutura fluminense.
Ameaças climáticas e o fenômeno Super El Niño
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera a circulação atmosférica global. Projeções meteorológicas indicam que o fenômeno pode atingir uma intensidade elevada neste ano, sendo referido por especialistas como um “Super El Niño”. Para o território fluminense, o cenário aponta para riscos crescentes de ondas de calor, estiagem prolongada, chuvas intensas e aumento na incidência de incêndios florestais.
As repercussões esperadas abrangem áreas críticas como saúde pública, agricultura, abastecimento de água e energia. Para gerir essas vulnerabilidades, o comitê foi estruturado em quatro câmaras técnicas especializadas: Defesa Civil, Saúde, Ambiente e Sustentabilidade, e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior.
Monitoramento e combate a incêndios florestais
A urgência da medida é corroborada por dados recentes da Secretaria de Estado de Defesa Civil. O secretário Tarcísio Sales informou que, em comparação ao mesmo período do ano anterior, o mês de julho registrou um aumento de 100% nos focos de incêndios florestais no estado. Esse cenário de baixa umidade e ventos fortes já impõe desafios operacionais imediatos às equipes de socorro.
A estratégia de enfrentamento inclui o treinamento intensivo de equipes municipais e a implementação de novos sistemas de alerta precoce. O governo estadual enfatiza que, embora a Região Serrana apresente riscos geológicos conhecidos, a vigilância climática e operacional está sendo estendida a todo o território fluminense para garantir uma resposta rápida em qualquer localidade.
Mobilização da rede de saúde e academia
A integração de diferentes esferas do governo é considerada fundamental para a eficácia do programa. O secretário de Saúde, Ronaldo Damião, destacou o papel estratégico dos 20 mil agentes comunitários de saúde e de endemias que atuam no estado. Por estarem inseridos no cotidiano das comunidades, esses profissionais são vistos como peças-chave na identificação precoce de populações vulneráveis aos efeitos do clima.
A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, reforçou o compromisso da instituição em colaborar com o poder público. Segundo a reitora, a universidade coloca sua competência técnica à disposição para auxiliar na mitigação dos impactos climáticos, reconhecendo que as desigualdades sociais no Rio de Janeiro podem ser severamente agravadas pela instabilidade meteorológica. Mais informações podem ser consultadas no portal da Agência Brasil.













