Biografia de Helena Theodoro celebra legado das Tias Negras na filosofia brasileira

Biografia de Helena Theodoro celebra legado das Tias Negras na filosofia brasileira

A trajetória de Helena Theodoro, referência incontornável na defesa da inclusão dos saberes africanos, afro-brasileiros e indígenas nas universidades, ganha um novo registro literário. A obra Dona Helena Theodoro — Uma Tia Negra da Filosofia Popular Brasileira, escrita pela pesquisadora Carla Rocha, será lançada na Biblioteca Parque Estadual (BPE), no Rio de Janeiro. O evento marca o encontro entre a professora e sua aluna, celebrando uma relação de mentoria que atravessa mais de três décadas.

A construção de um pensamento coletivo

Mais do que uma biografia convencional, o livro é fruto de uma tese de mestrado desenvolvida por Carla Rocha no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A obra investiga o conceito das chamadas Tias Negras, figuras fundamentais no acolhimento da coletividade e na preservação da memória comunitária. Para a autora, a vivência ao lado de Helena Theodoro — primeira mulher negra a obter doutorado em filosofia africana no Brasil, em 1985 — foi o diferencial para a profundidade da pesquisa.

A própria Helena Theodoro ressalta que o conteúdo da publicação foca na atuação política e filosófica, indo além dos aspectos pessoais. A professora, que aos 83 anos mantém uma rotina intensa de docência e militância, destaca a importância da ancestralidade. “No mundo africano é o Bantu, ‘eu sou, porque nós somos’. Nós temos ancestralidade”, afirma a educadora, que encontrou na filosofia popular um caminho para questionar o eurocentrismo acadêmico.

Trajetória de superação e militância acadêmica

A vida de Helena Theodoro é marcada por uma dedicação constante à educação e ao ativismo. Em 2023, a professora participou de 32 bancas acadêmicas, consolidando-se como uma voz solitária e necessária no departamento de filosofia da UFRJ. Sua formação e atuação foram moldadas por uma estrutura familiar que valorizava o coletivo, herança que ela carrega desde a infância na zona norte do Rio de Janeiro.

A resiliência da filósofa também foi testada em momentos de dor profunda, como a perda de seu filho Maurício, em 1981. Naquele período, o suporte recebido de lideranças do candomblé, como o mestre Didi, foi determinante para que ela mantivesse suas atividades acadêmicas. Esse acolhimento reflete a essência do que ela define como o papel da “máfia do bem”, termo usado por seu pai para descrever a união familiar.

Lançamento e debate na Biblioteca Parque Estadual

O evento de lançamento, que ocorre nesta quarta-feira (2), contará com a presença de acadêmicos que acompanharam o desenvolvimento da tese, como os professores Rafael Haddock-Lobo, Marcelo José Derzi Moraes e Mariane Biteti. A iniciativa reforça o compromisso da Biblioteca Parque Estadual com a democratização do acesso ao conhecimento e a valorização de intelectuais brasileiros.

A autora Carla Rocha, que também é jornalista e doutoranda em filosofia, utiliza a obra para expandir o debate sobre as epistemologias do Sul Global. O livro, disponível para o público, reúne ainda contribuições de diversos pesquisadores, consolidando o pensamento de Helena Theodoro como um pilar essencial para a compreensão da filosofia brasileira contemporânea. Para mais informações sobre o cenário cultural, acompanhe as atualizações da Agência Brasil.

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