Biópsia líquida ajuda a identificar 4 vezes mais casos de câncer

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Os quatro “Ps” da medicina de precisão

A possibilidade de identificar o câncer antes dos sintomas faz parte de uma mudança mais ampla na oncologia. Ao lado dos avanços na biópsia líquida, a Asco também reuniu estudos que reforçam o papel da chamada medicina de precisão, abordagem que considera as características genéticas de cada indivíduo, o ambiente em que vive e fatores relacionados ao estilo de vida, para estimar o risco de desenvolver câncer, orientar estratégias de prevenção e selecionar tratamentos mais individualizados.

O conceito é frequentemente representado pelos chamados quatro “Ps” da medicina de precisão: predição, prevenção, personalização e participação. A predição consiste em identificar pessoas com maior predisposição ao desenvolvimento de determinados tumores, principalmente por meio da avaliação do histórico familiar e, quando indicado, da realização de testes genéticos. A partir dessas informações, é possível estimar de forma mais precisa a probabilidade de surgimento da doença.

Esse conhecimento permite colocar em prática a prevenção. Dependendo do risco identificado, o paciente pode ser acompanhado com exames mais frequentes, protocolos específicos de rastreamento e, em algumas situações, cirurgias redutoras de risco.

“O câncer é uma doença genética, mas isso não significa que seja hereditário. Entre 85% e 90% dos tumores são esporádicos, ou seja, surgem ao longo da vida em consequência do envelhecimento e da exposição a fatores ambientais, como tabagismo, obesidade, consumo de álcool e sedentarismo. Apenas de 5% a 10% dos casos estão relacionados a mutações herdadas da família”, explica a oncologista.

O terceiro P corresponde à personalização do tratamento. Nesse modelo, as decisões terapêuticas deixam de considerar apenas o órgão onde o câncer surgiu e incorporam as alterações moleculares presentes no tumor, permitindo selecionar medicamentos direcionados às características biológicas de cada paciente.

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