Ciência segue ausente do debate eleitoral em meio à crise institucional, aponta SBPC

Ciência segue ausente do debate eleitoral em meio à crise institucional, aponta SBPC

O cenário político brasileiro, atualmente dominado por denúncias e disputas institucionais, tem deixado temas estratégicos para o futuro do país em segundo plano. Segundo a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, a ciência permanece à margem das campanhas eleitorais, impedindo que questões vitais, como a transição energética e a preparação para crises sanitárias, recebam a atenção necessária dos candidatos.

A ausência da ciência no debate eleitoral

Para a pesquisadora, o eleitorado e as candidaturas foram conduzidos a uma falsa dicotomia, na qual a discussão sobre a integridade das instituições parece excluir o planejamento de um projeto de desenvolvimento nacional. Francilene Garcia ressalta que, embora a ciência dependa de regras estáveis e orçamento previsível, o tema tem sido tratado de forma periférica. A agenda pública, ocupada por escândalos, tem negligenciado tópicos que definem o rumo do país a curto e longo prazo.

Desafios estratégicos e o papel da SBPC

A entidade lançou o Observatório das Eleições com o objetivo de qualificar o debate e apresentar mais de uma centena de propostas de políticas públicas. Entre os pontos prioritários defendidos pela SBPC estão o enfrentamento às mudanças climáticas, a transformação digital e a exploração sustentável de minerais críticos. Contudo, a adesão das candidaturas tem sido baixa, com poucos compromissos firmados por postulantes aos cargos executivos e legislativos.

Impactos da crise institucional na pauta científica

A crise política atual tem dificultado o engajamento de candidatos, que priorizam a disputa de narrativas em detrimento de planos de governo estruturados. A presidente da SBPC reforça que, embora a fiscalização dos Poderes seja essencial, o país não pode abdicar da discussão sobre o futuro. A entidade defende o cumprimento dos ritos processuais e constitucionais, alertando para os riscos de vazamentos de informações que visam interesses particulares em vez do bem comum.

Necessidade de um projeto de nação

Ao comparar o Brasil com nações líderes globais, a SBPC aponta que o país perde competitividade ao ignorar temas como o aproveitamento de terras raras e a resiliência dos biomas frente ao aquecimento global. A falta de foco em ciência e tecnologia, segundo a entidade, compromete a capacidade de resposta do Estado diante de eventos climáticos extremos e crises sanitárias, cenários que já se impõem como realidades imediatas para a população.

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