Confiança industrial recua e setor acumula 21 meses de pessimismo no Brasil

Confiança industrial recua e setor acumula 21 meses de pessimismo no Brasil

A indústria brasileira enfrenta um cenário de incerteza prolongada, com o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) registrando nova queda em setembro. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o indicador recuou 1,4 ponto, atingindo 44,9 pontos. Este resultado mantém o setor abaixo da linha de 50 pontos, marca que separa o otimismo do pessimismo.

Com este desempenho, o segmento industrial completa 21 meses consecutivos de desconfiança. O período representa a sequência negativa mais longa registrada pela série histórica da entidade, superando os desafios enfrentados entre 2015 e 2016.

Impacto da percepção econômica nas condições atuais

O recuo do índice foi disseminado por todos os seus componentes, refletindo uma avaliação negativa tanto sobre o momento presente quanto sobre as perspectivas futuras. O Índice de Condições Atuais, que mede a percepção sobre o cenário vigente, caiu 2,5 pontos, situando-se em 40,2 pontos.

A avaliação específica sobre a economia brasileira foi um dos pontos de maior retração, com uma queda de 3,6 pontos, alcançando 33 pontos. Paralelamente, a percepção dos empresários sobre as condições operacionais de suas próprias empresas também sofreu impacto, registrando 43,8 pontos, uma redução de 1,9 ponto em relação ao levantamento anterior.

Deterioração das expectativas para o futuro

O pessimismo também se consolidou nas projeções para os próximos meses. O Índice de Expectativas recuou 0,9 ponto, passando de 48,1 para 47,2 pontos. Esse movimento indica que os gestores industriais não preveem uma recuperação robusta no curto prazo.

As expectativas sobre o futuro da economia brasileira caíram para 39,1 pontos, enquanto a confiança em relação ao desempenho das próprias empresas recuou 1 ponto, chegando a 51,3 pontos. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a queda foi generalizada, atingindo todos os pilares que compõem o levantamento.

Persistência do cenário de desconfiança

A CNI ressalta que as oscilações positivas observadas pontualmente ao longo de 2026 não foram capazes de reverter a tendência de baixa. O quadro de desconfiança permanece disseminado, sem sinais claros de uma mudança estrutural no sentimento do empresariado industrial.

A pesquisa de setembro contou com a participação de 1.186 empresas de diferentes portes. A amostra incluiu 475 pequenas indústrias, 441 médias e 270 grandes companhias, ouvidas entre os dias 1º e 8 de setembro de 2026.

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