Dados compilados pelo Projeto Criança Segura, da ONG Aldeias Infantis SOS, revelam um cenário preocupante para a saúde pública brasileira em 2025. As quedas e queimaduras consolidaram-se como as principais causas de hospitalização de crianças e adolescentes de até 14 anos, representando uma parcela significativa das mais de 162 mil internações por acidentes registradas nessa faixa etária ao longo do ano.
As informações, extraídas do DataSUS, indicam que, do total de hospitalizações infantis por causas externas, 55 mil foram decorrentes de quedas, o que equivale a 43,4% dos casos. As queimaduras ocupam a segunda posição, com mais de 25 mil registros, representando 19,6% do total. A recorrência desses eventos reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e à estruturação de ambientes mais seguros para o desenvolvimento infantil.
Distribuição geográfica e taxas de hospitalização
A incidência de acidentes apresenta variações expressivas entre os estados brasileiros. Em números absolutos, São Paulo lidera o ranking com 19.837 internações, seguido por Minas Gerais, com 12.183, e Paraná, com 10.708 casos. Por outro lado, estados como Sergipe, Roraima e Amapá registraram as menores contagens nominais de hospitalizações no período.
Contudo, ao analisar a proporção por habitante, o cenário revela disparidades regionais importantes. O Pará registrou a maior taxa do país, com 120 hospitalizações para cada 100 mil habitantes. Tocantins e Maranhão completam o topo da lista com taxas de 113 e 102 por 100 mil, respectivamente. Em contrapartida, Sergipe apresentou o índice mais baixo, com 13 internações a cada 100 mil habitantes.
Tendência de alta e análise das causas externas
O levantamento aponta uma trajetória de crescimento nas internações por acidentes nos últimos três anos. Entre 2024 e 2025, houve um aumento de 5,4% nas hospitalizações de menores de 14 anos. As categorias que apresentaram as maiores elevações foram as intoxicações, com alta de 19,7%, seguidas por sufocações, com 10,8%, e queimaduras, com 7,4%.
Os acidentes de trânsito figuram como a terceira principal causa, concentrando-se majoritariamente na faixa etária de 10 a 14 anos. Enquanto a maioria das categorias registrou crescimento, os acidentes envolvendo armas de fogo foram a única exceção, apresentando uma redução de 13,6% no período. No acumulado do triênio 2023-2025, o aumento total de hospitalizações infantis foi de 7,7%.
Prevenção e o papel da supervisão
Especialistas reforçam que cerca de 90% dos acidentes envolvendo crianças são evitáveis por meio de medidas simples de segurança e vigilância constante. O relatório destaca que a desatenção dos cuidadores, muitas vezes agravada pelo uso de dispositivos móveis, tem se tornado um fator de risco determinante para o aumento das ocorrências.
O fortalecimento de campanhas educativas e a criação de espaços domésticos e públicos adaptados são apontados como estratégias essenciais. O objetivo central é reduzir não apenas o volume de hospitalizações, mas também a incidência de sequelas permanentes e óbitos que poderiam ser prevenidos com a adoção de protocolos básicos de segurança infantil.












