Lula recebeu ao menos 16 estrangeiros enquanto esteve preso

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Atual presidente encontrou de ex-chefes de Estado a intelectuais e ativistas; no sábado (18.jul.), Alexandre de Moraes vetou visita de Milei a Bolsonaro

Durante os 580 dias em que esteve preso em Curitiba, de 2018 a 2019, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu ao menos 16 visitantes estrangeiros, entre ex-chefes de Estado, intelectuais e ativistas. No sábado (18.jul.2026), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou o pedido para que o presidente da Argentina, Javier Milei, visitasse Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar, citando a proibição de encontros de caráter político-eleitoral até o fim da eleição.

A decisão recente de Moraes contrasta com o período em que Lula esteve preso em Curitiba, quando recebeu uma série de visitantes estrangeiros autorizados pela Justiça. Entre as visitas recebidas por Lula na cadeia, estão o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica (1935-2025), o então candidato à Presidência da Argentina Alberto Fernández, o ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz e o filósofo e linguista Noam Chomsky.

Para o levantamento, o Poder360 compilou dados de veículos de comunicação de grande circulação e publicações de canais institucionais ligados ao presidente.

Eis a lista de estrangeiros recebidos por Lula na cadeia: 

  • Alberto Fernández – candidato à Presidência da Argentina
  • Boaventura de Sousa Santos – sociólogo e professor português
  • Cuauhtémoc Cárdenas – ex-governador do Distrito Federal (México)
  • Danny Glover – ator e ativista norte-americano
  • Domenico De Masi – sociólogo italiano
  • Eduardo Duhalde – ex-presidente da Argentina
  • Ernesto Samper – ex-presidente da Colômbia
  • Juan Carlos Monedero – fundador do partido Podemos (Espanha)
  • Leonardo Padura – escritor cubano
  • Martin Schulz – ex-presidente do Parlamento Europeu
  • Massimo D’Alema – ex-primeiro-ministro da Itália
  • Noam Chomsky – filósofo e linguista norte-americano
  • Pepe Mujica – ex-presidente do Uruguai
  • Pilar del Río – presidenta da Fundação José Saramago
  • Roberto Gualtieri – eurodeputado do Parlamento Europeu
  • Sharan Burrow – secretária-geral da Confederação Sindical Internacional (CSI)

Nem todos os pedidos de visita foram autorizados pela Justiça. A 12ª Vara Federal de Curitiba impediu a entrada de alguns nomes. Em 19 de abril de 2018, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, foi barrado pela Justiça e não passou da portaria da Superintendência da PF. Dois meses depois, em 11 de junho de 2018, o advogado argentino Juan Grabois, que atuava como consultor do Conselho de Justiça e Paz do Vaticano, também teve o ingresso negado ao tentar entregar a Lula um rosário enviado pelo papa Francisco (1936-2025).

MORAES BARRA VISITA DE MILEI A BOLSONARO

O encontro entre Bolsonaro e o chefe de Estado argentino estava agendado para 25 de julho de 2026, data em que Milei tem viagem marcada para o Brasil. Moraes classificou o pedido da defesa como “prejudicado” com base em uma nova determinação judicial, proferida na 6ª feira (17.jul.2026), que proibiu visitas de caráter político-eleitoral ao ex-presidente até o fim do atual ciclo eleitoral.

O endurecimento das regras se deu depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicar em suas redes sociais uma Carta aos Brasileiros, escrita à mão pelo pai, e reforçando a pré-candidatura do filho à Presidência. O STF entendeu o ato como uma forma de burlar as restrições de comunicação impostas à prisão domiciliar.

Condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro tem autorização para conviver só com familiares próximos, funcionários e equipes médicas e de defesa.

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