Um cenário de tensão tomou conta da região da Mangueira, na zona norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (12/08). Trechos da Avenida Rei Pelé e da Rua São Francisco Xavier foram interditados por manifestantes em protesto contra uma operação realizada pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) da Polícia Civil na localidade conhecida como Favela do Metrô.
Após a retirada das equipes policiais da área, o clima de instabilidade persistiu com a formação de barricadas. Manifestantes utilizaram pneus e contêineres de lixo para obstruir o fluxo de veículos, ateando fogo nos objetos. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para conter as chamas e liberar as vias, utilizando viaturas com jatos de água para dispersar os focos de incêndio.
Confronto e dinâmica da operação policial
De acordo com informações oficiais da Secretaria de Estado de Polícia Civil, a incursão dos agentes visava um ferro-velho apontado como ponto de apoio para o tráfico de drogas na região. A corporação relatou que, durante a chegada das equipes, os policiais foram recebidos a tiros por criminosos posicionados no alto da comunidade.
A Secretaria enfatizou que os agentes não revidaram aos disparos, visando preservar a integridade dos moradores locais que circulavam pela área. Em nota, a instituição reforçou que a responsabilidade pelos riscos à população recai sobre os grupos criminosos que promovem ataques e instabilidade em zonas residenciais, conforme detalhado pela Agência Brasil.
Impactos no trânsito e rotina acadêmica
O bloqueio das vias gerou um efeito imediato na mobilidade urbana da capital fluminense. Motoristas que trafegavam pela região relataram momentos de pânico e buscaram rotas alternativas para se afastar do epicentro do conflito. O trânsito apresentou lentidão acentuada no sentido Méier e reflexos diretos no acesso pela Avenida Rei Pelé, além de congestionamentos na Rua São Francisco Xavier, sentido Centro.
A proximidade com o campus Maracanã da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) exigiu medidas de segurança por parte da instituição. A direção da universidade emitiu um comunicado orientando alunos, professores e funcionários a evitarem o deslocamento para o local, enquanto aqueles que já estavam nas dependências do campus foram aconselhados a permanecerem em segurança até que a situação fosse normalizada.
Interrupção do transporte público
O sistema de transporte coletivo também foi alvo da ação dos manifestantes. O sindicato Rio Ônibus informou que criminosos retiraram as chaves de veículos que passavam pela Rua São Francisco Xavier, utilizando os ônibus como barricadas para impedir a passagem de outros carros e das forças de segurança.
Ao todo, 19 linhas de ônibus que operam na região tiveram seus itinerários alterados ou suspensos temporariamente. Entre os veículos utilizados nos bloqueios, destacou-se um ônibus da linha 457, que realiza a conexão entre o bairro da Abolição, na zona norte, e Copacabana, na zona sul, evidenciando o alcance dos transtornos causados pela manifestação.













