O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou os resultados da Operação Rede Interrompida, ação coordenada para desarticular um grupo suspeito de planejar atos violentos contra prédios públicos em Brasília. A investigação, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), teve origem em relatórios do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), que monitorou comunicações em grupos do Telegram desde a primeira quinzena de junho.
Inteligência e monitoramento contra ameaças
O grupo investigado articulava ataques a locais estratégicos, incluindo a Esplanada dos Ministérios e o Supremo Tribunal Federal, com foco no período eleitoral de outubro. Além das invasões, havia planos para atentados a bomba durante debates entre candidatos. Segundo Anchieta Nery, diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, a ação não se limitou a monitorar opiniões, mas a identificar um planejamento concreto de violência que exigia intervenção imediata.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, ressaltou que a operação exemplifica a eficácia da cooperação interfederativa. O laboratório de inteligência do ministério atuou como articulador, permitindo que a União e os estados operassem como um sistema único de proteção, compartilhando dados estratégicos para antecipar riscos à segurança nacional.
Apreensões e alcance da operação
A ofensiva contou com o apoio de forças policiais de cinco estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, coordenados pelo delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho. A ação visou identificar processos de radicalização antes que se tornassem episódios de violência real.
Entre os materiais apreendidos pelas autoridades, destacam-se manuais técnicos para a fabricação de explosivos e mapas detalhados da região central de Brasília. Os documentos incluíam plantas baixas do Palácio do Planalto, confirmando que os alvos eram cuidadosamente selecionados pelos suspeitos para causar danos ao patrimônio público e à ordem democrática.
Perfil dos suspeitos e combate ao extremismo
Os oito investigados possuem idades entre 19 e 31 anos e, conforme o delegado Maurílio Coelho, não possuem antecedentes criminais. O grupo mantinha contato exclusivamente através de plataformas digitais, sem encontros presenciais. A estratégia da investigação, neste momento, focou na coleta de provas, optando pela não solicitação de prisões preventivas.
Além do planejamento de ataques, os grupos disseminavam conteúdos de cunho neonazista, antissemita e misógino. A secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, destacou que o combate a essas práticas é uma prioridade, citando a importância do Pacto Brasil contra o Feminicídio e da Estratégia Nacional Mulher Segura para fortalecer a proteção social contra a violência e o ódio nas redes.













