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- A guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28/02/2026, ampliou‑se.
- O Irã busca soberania sobre o estreito de Hormuz, que concentra 20 % do escoamento mundial de petróleo e gás, e os confrontos elevaram o preço do barril para cerca de US$ 100.
- Em 25/06/2026, a Ucrânia atacou navios no Mar Cáspio alegando transporte de armas russas ao Irã; o Irã confirmou o ataque e registrou a morte de um marinheiro.
- A Arábia Saudita também entrou no conflito, contribuindo para a escalada de tensões e a alta nos preços do petróleo.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e o Irã, iniciada pelos dois primeiros de maneira unilateral, no dia 28 de fevereiro de 2026, está se expandindo.
Washington e Teerã trocaram ataques durante 13 dias, antes de uma pausa que começou na sexta-feira, 24.
Os ataques foram resultado do fracasso do “memorando de entendimento” assinado pelos dois países.
O Irã quer soberania sobre o estreito de Hormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás. Os EUA não aceitam que Teerã dite as regras no estreito.
Por conta dos novos ataques, o preço de referência do petróleo internacional voltou a subir e agora está em torno dos 100 dólares.
A Ucrânia atacou navios no mar Cáspio. Wikipedia
Zelenski, oportunista
A Ucrânia, que tenta rechaçar ocupação da Rússia desde fevereiro de 2022, atacou no sábado, 25, navios que segundo Kiev estariam sendo utilizados para levar armas russas para o Irã, no Mar Cáspio.
A Ucrânia não tem costa no Mar Cáspio, que fica a mais de 1.300 quilômetros de Kiev.
O Irã confirmou o ataque e disse que um marinheiro morreu em uma embarcação comercial.
O parlamentar iraniano Nezameddin Mousavi sugeriu que Teerã atacasse a Ucrânia no Mar Negro: “A resposta a essa demonstração de força no Mar Cáspio deve vir no Mar Negro”.
Os únicos portos da Ucrânia ficam no Mar Negro. No passado, o Irã forneceu à Rússia tecnologia de drones, que Moscou utilizou ao invadir a Ucrânia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu em uma postagem que China e Rússia prometeram não entregar armas ao Irã.
Volodymyr Zelenski foi às redes acusar a Rússia de fornecer imagens de bases estadunidenses ao Irã:
Somente nos dias 19 e 20 de julho, quatro bases aéreas caíram na área de interesse dos satélites russos – duas no Bahrein, uma na Jordânia e uma no Kuwait. O propósito é claro. Nenhum de nós no mundo deveria fechar os olhos a um fato muito simples: o mal procura sempre formas de piorar as coisas e espalhar-se ainda mais. A Rússia deve ser detida. Esta guerra deve ser interrompida. A pressão sobre o agressor deve funcionar.
Zelenski tenta demonstrar que pode servir ao esforço de guerra dos EUA contra o Irã. Em troca, quer mais armamentos estadunidenses para usar contra a Rússia.
Os pontos de estrangulamento da navegação mundial, com destaque para Hormuz e Bab el-Mandeb.
Bloqueio no Mar Vermelho
Por outro lado, a Arábia Saudita bombardeou território do Iêmen controlado pelos houthis, aliados do Irã.
Foi em retaliação contra o bloqueio imposto pelo grupo à navegação de petroleiros que pretendem carregar ou descarregar num porto saudita do Mar Vermelho.
Na quinta-feira, 23, os houthis atacaram os petroleiros Encelia e Layla, que tentaram furar o bloqueio no estreito de Bab el-Mandeb, na costa do Iêmen.
Depois da resposta militar da Arábia Saudita, os houthis dispararam drones e mísseis contra o território saudita.
No passado, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — países de muçulmanos sunitas — se envolveram na guerra civil do Iêmen para impedir a ascensão dos houthis, que praticam uma vertente do xiismo — que tem suas principais lideranças religiosas no Irã e Iraque.
Arábia Saudita e Irã, que historicamente disputaram a hegemonia regional, fizeram um acordo e reataram relações diplomáticas por intermédio da China.
Hoje, travam uma “guerra surda”, com os sauditas eventualmente prestando favores aos EUA e, indiretamente, a Israel.
Para evitar o estreito de Hormuz, a Arábia Saudita recorre ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Com isso, “escapa” do conflito regional — ou quase.
Diariamente, cerca de 25 milhões de barris de petróleo transitam por Hormuz e Bab-el-Mandeb, este último na saída sul do Mar Vermelho, onde os houthis exercem hegemonia.
Com o bloqueio naval imposto pelos houthis, cresce a pressão por uma saída negociada, pois o preço do petróleo sobe e a Arábia Saudita fica sem alternativa para exportar.
A entrada direta de Ucrânia e Arábia Saudita na guerra aumenta as chances de um conflito mundial.
Efeito eleitoral nos EUA
Donald Trump está sob forte pressão interna.
Nos Estados Unidos, o preço da gasolina estava em média R$ 0,90 mais caro por litro no início de julho.
Em novembro deste ano, em eleições de meio de mandato, serão renovados todos os assentos da Câmara e 35 dos 100 do Senado.
O site Político fez um levantamento que deixou claro o risco para Trump:
A ansiedade dos eleitores em relação aos preços dos combustíveis pode impulsionar os democratas nas eleições de meio de mandato, fortalecendo ainda mais a base eleitoral do partido e pressionando a coalizão MAGA, enquanto a guerra cada vez mais impopular no Irã se arrasta. Uma pluralidade de estadunidenses — 46% — afirma que a variação nos preços da gasolina influenciará seu voto em novembro.
Trump vai mal com os eleitores independentes, que o ajudaram a voltar à Casa Branca em 2024. Ao fazer campanha, ele prometeu reduzir os custos de energia e baixar a inflação dos alimentos — nada disso aconteceu.
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