O avanço da miopia entre crianças e adolescentes tornou-se uma preocupação crescente para a comunidade médica, que busca estratégias para conter a progressão dessa condição visual. Em resposta a esse cenário, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançaram a cartilha Mais Tempo ao Ar Livre, Mais Saúde para os Olhos, um guia prático voltado para famílias, educadores e profissionais da saúde.
A iniciativa foi apresentada durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador, e visa oferecer orientações acessíveis para mitigar os impactos do uso excessivo de telas e da baixa exposição à luz natural. O material será distribuído para secretarias de Saúde e Educação em todo o território nacional, reforçando a importância de medidas preventivas no ambiente escolar e doméstico.
Estratégias para a saúde visual na infância
O documento enfatiza que a prevenção da miopia não exige investimentos em tecnologias complexas ou tratamentos medicamentosos onerosos. A recomendação central dos especialistas é a adoção de uma rotina que priorize atividades físicas e recreativas em ambientes externos por, pelo menos, duas horas diárias.
A exposição à luz natural atua como um fator protetor, ajudando a reduzir o tempo que crianças e adolescentes passam com o foco visual fixo em superfícies próximas. Ao incentivar caminhadas, esportes e brincadeiras ao ar livre, o objetivo é diminuir a sobrecarga visual causada pelo uso prolongado de dispositivos eletrônicos, como computadores e celulares.
Limites recomendados para o uso de telas
O CBO estabeleceu diretrizes claras para o uso de dispositivos digitais, considerando a vulnerabilidade do sistema visual em desenvolvimento. A orientação é que o tempo de tela seja rigorosamente monitorado conforme a faixa etária:
- Menores de 2 anos: nenhum tempo de tela.
- Entre 2 e 5 anos: limite de uma hora diária.
- Entre 5 e 10 anos: limite de duas horas diárias.
- Entre 10 e 18 anos: limite de três horas diárias.
Além da limitação temporal, os especialistas sugerem pausas regulares durante atividades que exijam foco próximo, a manutenção de uma distância adequada dos aparelhos e o uso constante de proteção solar.
Ações práticas e assistência especializada
O lançamento da cartilha coincidiu com a 5ª edição do Projeto Pequenos Olhares CBO, realizado na capital baiana. A ação social mobilizou médicos voluntários para oferecer atendimento oftalmológico a cerca de 1 mil crianças e adolescentes durante o congresso.
O projeto proporcionou consultas, exames diagnósticos e a distribuição gratuita de óculos de grau para os participantes que necessitavam de correção visual. A iniciativa reforça o compromisso das instituições em ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, conforme detalhado no portal oficial do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.












