Moraes e Mendonça protagonizam embate tenso no STF durante julgamento

Moraes e Mendonça protagonizam embate tenso no STF durante julgamento

O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um momento de crise institucional acentuada após um confronto direto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Durante a sessão desta terça-feira (15), Moraes acusou publicamente o colega de ter pressionado investigadores da Operação Compliance Zero para incluir seu nome em uma delação premiada envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central em apurações sobre fraudes financeiras.

O embate ocorreu em meio ao julgamento que discute a abertura de uma investigação contra o próprio Moraes, baseada em um relatório que aponta supostas mensagens trocadas entre ele e Vorcaro. A tensão escalou quando Moraes afirmou possuir testemunhas que teriam presenciado a exigência de Mendonça, classificando a conduta do ministro como uma manobra de motivação político-eleitoral ligada a grupos que, segundo ele, tentaram romper a ordem democrática no país.

Acusações cruzadas e o papel da Operação Compliance Zero

A controvérsia central gira em torno do sigilo levantado por André Mendonça no dia 1º de setembro sobre um relatório da Polícia Federal. O documento expõe 52 mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, nas quais o ex-banqueiro aparenta proximidade com Moraes e menciona contratos envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em sua defesa, Moraes nega qualquer irregularidade e sustenta que o relatório é inconstitucional.

Em contrapartida, Moraes apresentou um documento que sugere o direcionamento das investigações da Operação Compliance Zero por parte de Mendonça para atingir adversários políticos. O material, contudo, carece de assinatura e timbre oficial, contendo um alerta de que se trata de uma conjectura sem valor probatório imediato. Mendonça rebateu as acusações de Moraes em plenário, classificando as alegações como mentirosas e negando qualquer interferência no caso.

Intervenção da PGR e desdobramentos no plenário

A Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o comando de Paulo Gonet, solicitou a anulação do relatório parcial divulgado por Mendonça. O órgão argumenta que a investigação avançou sobre um membro da Corte sem a devida comunicação ao presidente do tribunal ou ao plenário, o que configuraria uma irregularidade processual. Curiosamente, o nome de Gonet também aparece citado nas mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro.

O clima de instabilidade levou o ministro Gilmar Mendes a propor o adiamento do julgamento para o dia 23 de setembro. A data coincide com a análise de um pedido de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade. O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a sessão para almoço, enquanto o tribunal lida com os impedimentos declarados pelos ministros Nunes Marques e Dias Toffoli, que se afastaram da votação do caso.

Para mais detalhes sobre o andamento das investigações, acompanhe a cobertura oficial em Agência Brasil.

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