A Petrobras oficializou, a partir desta terça-feira (1º), um reajuste de 13,9% no preço médio do querosene de aviação (QAV). A medida, que impacta diretamente a logística do setor aéreo, eleva o custo do combustível em cerca de R$ 0,68 por litro. A estatal justifica a alta como um reflexo direto das instabilidades geopolíticas no Oriente Médio, que têm gerado perturbações severas na cadeia global de suprimentos de petróleo.
Impacto das tensões geopolíticas no mercado de combustíveis
O cenário internacional de conflitos, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, tem pressionado as cotações das commodities energéticas. A instabilidade no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde transitava cerca de 20% da produção mundial de óleo e gás, é apontada como o principal fator para a redução da oferta e a consequente escalada de preços. Embora o Brasil seja um relevante produtor de petróleo, a precificação dos derivados segue as variações do mercado internacional, onde o produto é negociado.
Desde o início de 2026, o acúmulo de altas no QAV atinge 53,3%, representando um incremento de R$ 1,94 por litro. A Petrobras mantém uma fórmula paramétrica contratual que, segundo a companhia, atua como um amortecedor de curto prazo, buscando suavizar a volatilidade extrema observada nas bolsas internacionais. Mesmo com esse mecanismo, o peso do combustível nas despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras permanece crítico, representando aproximadamente 30% dos custos totais, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Flexibilização financeira para distribuidoras
Para mitigar o impacto financeiro imediato sobre o setor, a Petrobras retomou, neste mês de setembro, o programa de parcelamento dos reajustes. A iniciativa permite que as distribuidoras parceiras dividam o aumento em três parcelas mensais. Essa estratégia de diluição de custos visa garantir a continuidade do abastecimento nos aeroportos, assegurando que todo o volume solicitado pelas empresas seja atendido sem interrupções na malha aérea nacional.
Dinâmica de preços e concorrência no setor
O valor do QAV nas refinarias da companhia varia atualmente entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro, com variações regionais significativas. Em São Luís, por exemplo, a comparação mensal aponta uma alta de 14,34%, enquanto Canoas, no Rio Grande do Sul, registra o menor índice, com 13,51%. Embora a Petrobras detenha cerca de 85% da produção nacional de querosene de aviação, o mercado brasileiro é aberto à livre concorrência, permitindo que outras empresas atuem tanto na produção quanto na importação do insumo.













