Um estudo conduzido pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), vinculado à FEA/USP, aponta que a expansão das apostas esportivas, conhecidas como bets, gerou uma retração significativa na atividade econômica brasileira ao longo de 2025. Segundo a análise, o setor foi responsável pela retirada de um montante entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões do fluxo de consumo das famílias, o que representa uma fatia de 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Impacto macroeconômico e perda de arrecadação
A magnitude desse impacto é comparável a quase metade de todo o crescimento econômico registrado no país em 2025. De acordo com os pesquisadores, mesmo ao considerar a criação de empregos diretos e indiretos pelo setor de apostas, o saldo final para a economia permanece negativo. O estudo destaca que a perda de dinamismo no consumo gera um efeito cascata que prejudica a arrecadação fiscal, superando largamente os valores tributários coletados diretamente das plataformas.
A estimativa é que o impacto negativo sobre as contas públicas varie entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões. Ao descontar os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas, o efeito líquido permanece deficitário, com uma perda mínima de R$ 22 bilhões. Para fins de comparação, esse montante equivale a até 20% de todo o orçamento destinado à saúde pública na cidade de São Paulo em 2025, evidenciando a gravidade do cenário fiscal.
Endividamento das famílias e concentração de renda
O levantamento aponta que a popularização das apostas está intrinsecamente ligada ao aumento do endividamento das famílias brasileiras. Os dados sugerem que uma parcela expressiva do crescimento do crédito para pessoas físicas, que subiu cerca de R$ 450 bilhões no período, pode ter sido direcionada para sustentar o fluxo de apostas. Em um cenário hipotético mais rigoroso, essa dinâmica explicaria cerca de 14% de todo o aumento do endividamento familiar observado em 2025.
Além do comprometimento da renda, a pesquisa identifica um agravamento na desigualdade social. Como o setor de apostas atrai recursos majoritariamente das classes de menor renda, o fluxo financeiro acaba concentrando o capital no topo da pirâmide. Estima-se que a concentração de renda entre o 1% mais rico da população tenha aumentado entre 0,5% e 2,1% devido à transferência de valores para as casas de apostas, aprofundando um problema estrutural já consolidado no Brasil. Mais detalhes sobre o impacto financeiro podem ser consultados na fonte oficial da Agência Brasil.













