O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), posicionou-se nesta terça-feira (15) contra a abertura isolada de uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o magistrado, é inviável analisar a suposta relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sem que antes o plenário da Corte julgue a legalidade das medidas adotadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master.
Conexão processual e a questão de ordem
A manifestação de Zanin ocorreu durante a apreciação de uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes. O objetivo do pedido é que o plenário avalie supostas irregularidades cometidas por Mendonça na condução do processo. Para Zanin, os dois casos possuem uma correlação direta que impede o prosseguimento de um sem a resolução do outro.
Ao dirigir-se ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, Zanin argumentou que autorizar uma investigação sem definir a suspeição de Mendonça configuraria uma inversão lógica dos atos processuais. O ministro destacou que o reconhecimento da suspeição pode trazer consequências jurídicas determinantes para o desfecho de toda a controvérsia.
Crise institucional e o relatório do Banco Master
O embate ganhou contornos de crise institucional após André Mendonça levantar o sigilo de um relatório em 1º de setembro. O documento cita 52 mensagens que teriam sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes entre 2023 e novembro de 2025. Em um dos trechos, o ex-banqueiro menciona um contrato de R$ 131 milhões envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o comando de Paulo Gonet, solicitou a anulação do relatório parcial. O órgão sustenta que Mendonça agiu de forma irregular ao avançar sobre um ministro do tribunal sem comunicar o plenário ou a presidência da Corte. O próprio nome de Gonet aparece citado nas mensagens que compõem o material investigativo.
Defesas e desdobramentos no plenário
Em sua defesa, Alexandre de Moraes classificou o relatório como inconstitucional e ilegal. Em contrapartida, o ministro apresentou um documento de inteligência — sem assinatura ou valor probatório — que sugere que Mendonça teria direcionado a Operação Compliance Zero para atingir adversários políticos. Moraes solicitou a abertura de investigação contra seu colega por abuso de autoridade e improbidade administrativa.
Até o momento, a tese de julgamento conjunto defendida por Zanin conta com o apoio dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes. Enquanto o plenário debate o rito, o ministro Edson Fachin mantém a posição de que os casos devem ser tratados em sessões distintas. O julgamento do pedido de investigação contra Mendonça segue agendado para o dia 23 de setembro. Para mais detalhes sobre o andamento do processo, acompanhe a cobertura da Agência Brasil.













